quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Divulgando Eventos - Internacional

1° Seminário de Estudos sobre Imigração Brasileira na Europa


Data: 25 a 27 de novembro de 2010
Local: Barcelona, Espanha
Informações: http://seminariobrasileuropa2010.wordpress.com/

Mega Urbanisation and Human Rights: Emerging Challenges and Opportunities

Data: 14 a 16 de fevereiro de 2011
Local: Indian Museum, 27, Jawaharlal Nehru Road, Kolkata (Calcutta), India
Informações: buddhadebc@gmail.com; sumita_chau@hotmail.com; gargisubir@gmail.com

Knowledge and Value in the Globalising World: Disentangling Dichotomies, Querying Unities

Data:05 a 09 de julho de 2011
Call For Panels is open until: 22 de outubro de 2010
Local: University of Western Australia
Informações: conference2011-anthropology@uwa.edu.au

54 International Congress of Americanists Building Dialogues in the Americas

Data: Julho de 2012
Local: Vienna, Austria
Informações: http://ica2012.univie.ac.at/

Fonte: Informativo da ABA - Setembro

Divulgando Eventos - Brasil

Encontro de Arqueologia e Antropologia: Diálogos Contemporâneos. Tema: Objetos e Cultura Material


Data: 27 de setembro de 2010
Local: Auditório Baesse – 4º andar - Prédio da FAFICH UFMG
Informações: http://www.fafich.ufmg.br/

Palestra: "Os museus de sociedades. Museologia e Antropologia na França"

Data: 30 de setembro de 2010
Local: Consecão CCHLA - UFRN
Informações: http://www.cchla.ufrn.br/tapera/
Tel: (84) 3215-3653

Seminário “Antropologia no Estado: a regularização de territórios quilombolas”

Data: 06 de outubro de 2010
Local: Sala de Reuniões do Departamento de Antropologia - UnB - ICC Centro (Sobreloja)
Informações: 61 3307-3006 / dan@unb.br

Seminário “Antropologia e história social da cultura: etnografia e fontes”

Data: 13 de outubro de 2010
Local: Sala de Reuniões do Departamento de Antropologia - UnB - ICC Centro (Sobreloja)
Informações: 61 3307-3006 / dan@unb.br

II Seminário Nacional Sociedade, Corpo e Cultura

Data: 14 a 16 de outubro de 2010
Local: Universidade Federal do Espírito Santo UFES
Informações: snscc@hotmail.com / 27 3335-7671

Seminário “Direitos dos Sem-Direito”

Data: 10 de novembro de 2010
Local: Sala de Reuniões do Departamento de Antropologia - UnB - ICC Centro (Sobreloja)

Informações: 61 3307-3006 / dan@unb.br

Seminário “Pioneiros e Empreendedores: notas bio/etnográficas para uma antropologia da expansão urbana”

Data: 17 de novembro de 2010
Local: Sala de Reuniões do Departamento de Antropologia - UnB - ICC Centro (Sobreloja)
Informações: 61 3307-3006 / dan@unb.br

II Seminário de Pós Graduação em Ciências Sociais

Data: 29 de novembro a 03 de dezembro de 2010
Local: Universidade Federal de Juiz de Fora
Informações: http://seminariocso.blogspot.com/

III Encontro Latinoamericano Ciências Sociais e Barragens

Data: 30 de novembro a 03 de dezembro de 2010
Local: Belém-PA
Informações: http://www.ecsbarragens.ufpa.br/site/index.php?p=prog.

Seminário “Natureza e modernidade: o caso da nação brasileira”

Data: 01 de dezembro de 2010
Local: Sala de Reuniões do Departamento de Antropologia - UnB - ICC Centro (Sobreloja)
Informações: 61 3307-3006 / dan@unb.br

Seminário do LACT - Corpo, Saúde e Ciência
 
O Laboratório de Antropologia da Ciência e da Técnica promoverá no dia 4/10/2010 o seminário sobre Corpo, saúde e ciência, com a participação de Rogério Azize (http://lattes.cnpq.br/6265564915369838) e Marko Monteiro (http://lattes.cnpq.br/5573301475044497).


PROGRAMAÇÃO:
4 de outubro de 2010
Local: DAN
9-12h: Mesa redonda
14-17h: Conversa com alunos e professores do DAN.

Fonte: Informativo da ABA - Setembro.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Veja as Novidades na Biblioteca Antroposimetrica!

Etnografia e Questões Sócio-Ambientais: esboço de uma antropologia simétrica da paisagem - P. Silveira
Híbridos na Paisagem: uma etnografia de espaços de produção e conservação - P. Silveira

Conselho de Gestão do Patrimônio Genético: hibridismo, tradução e agência compósita - D. Soares

Dismantling the divide betwen Indigenous and Scientific Knowledge - Agrawal
Cosmology as Ecological Analysis: a view from the rain forest - Reichel-Dolmatoff
O que significa tornar-se Outro? Xamanismo e Contato Interétnico na Amazônia - A. Villaça
Environmentality - Agrawal
Textual Agency: how text do things in organizations settings - F. Cooren

Linguistics and Grammatology - Derrida & Spivak
Mil Platôs: capitalismo e esquizofrenia - G. Deleuze & F. Guattari
Vol. 1, 2 e 3

Em que se pode reconhecer o estruturalismo - G. Deleuze
NGOs and the Environment: from knowledge to action - S. Jasanoff
Gabriel Tarde and the End of the Social - B. Latour
Making a mess with method - J. Law
Água e Cultura nas Populações Tradicionais Brasileiras - Diegues
How to read a map: remarks on the practical logic of navegation - A. Gell
A Guerra dos Alfabetos: os povos indígenas na fronteira entre o oral e o escrito - B. Franchetto

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Última Pesquisa Data Folha - Eleições 2010

Foi divulgada, nesta última sexta-feira, uma nova pesquisa da Data Folha sobre as eleições 2010. Os dados mostram o seguinte quadro: Dilma com 50%, Serra com 27% e Marina com 11% das intenções de voto.

Os resultados por regiões são os seguintes. No sudeste: Dilma manteve-se estável, pois a diferença está dentro da margem de erro da pesquisa (de 44% para 46%); Serra caiu sensivelmente de 33% para 29%; e Marina manteve-se estável (de 12% para 13%). No Norte e Centro-Oeste: Dilma caiu de 51% para 47%; Serra se manteve em 29%; e Marina subiu de 10% para 14%. No Nordeste a situação manteve-se praticamente estável sem grandes oscilações.

Vejamos os resultados em alguns estados da federação:

SP - 44%, 36%, 11% (2 e 3.set) - 41%, 35%, 14% (8 e 9.set)
RJ - 46%, 23%, 13% (23 e 24.ago) - 49%, 21%, 16% (8 e 9.set)
MG - 48%, 29%, 10% (23 e 24.ago) - 51%, 24%, 11% (8 e 9.set)
RS - 43%, 39%, 7% (23 e 24.ago) - 43%, 38%, 8% (8 e 9.set)
PR - 43%, 34%, 9% (23 e 24.ago) - 46%, 33%, 8% (8 e 9.set)
BA - 60%, 22%, 7% (23 e 24.ago) - 64%, 18%, 8% (8 e 9.set)
PE - 62%, 21%, 5% (23 e 24.ago) - 67%, 18%, 6% (8 e 9.set)
DF - 44%, 25%, 16% (23 e 24.ago) - 51%, 16%, 24% (8 e 9.set)

Conforme podemos ver acima: Dilma caiu em SP e subiu no RJ, MG, PR, BA, PE e DF; Serra caiu em todos os estados acima; e Marina subiu em todos os estados, com destaque para o DF (de onde pulou da faixa dos 16% para 24%).

Comentários Gerais

A última pesquisa Data Folha demonstra claramente uma tendência de queda de José Serra em quase todas as regiões do país, mas quem parece estar ganhando mais com isso é a candidata do Partido Verde, Marina Silva, que conseguiu subir em quase todas as regiões do país, enquanto Dilma manteve-se estável (com exceção de SP). Isso aponta para uma possibilidade real da Marina se colocar como a candidata que vai levar as eleições para o segundo turno, o que seria um ganho para todos nós, pois só assim teríamos um debate sobre temas fundamentais para o Brasil, como o meio ambiente e as populações tradicionais e indígenas. Caso Marina consiga subir mais 15 pontos percentuais, saindo de 11% para 26%, podemos imaginar um segundo turno com Dilma e Marina.

Tenho que reconhecer, no entanto, que mudanças drásticas são difíceis de serem alcançadas nesta altura do campeonato, mas não podemos esquecer que existe uma parcela do eleitorado que deixa para decidir na última hora. Por outro lado, caso a tendência de queda de Serra se mantenha e Marina consiga ganhar pelo menos metade dos votos dele, uma boa parcela dos indecisos e mais alguns votos da Dilma, já teríamos um quadro favorável para a candidata do Partido Verde. Caso isso não ocorra, acredito que o quadro não irá sofrer grandes alterações e é muito provável que não tenhamos segundo turno nessas eleições. Pois a candidatura Serra já demonstrou claramente a sua impossibilidade de crescimento acima da faixa dos 30%.

De qualquer forma, um ponto positivo revelado nessa última pesquisa é que o quadro atual demonstra que o povo brasileiro não está caindo na perspectiva “golpista” da oposição, que busca confundir o eleitor para ganhar seus votos. Não que eu seja favorável à quebra do sigilo fiscal, mas acho que essa perspectiva alarmista não contribui com o momento em que estamos vivendo. O debate deveria ocorrer a partir do confronto de propostas para o país, mas a mídia comprometida com a direita faz questão de dar um espaço desproporcional para o caso da filha do candidato do PSDB, inclusive, dando-se o direito de mencionar reportagens de revistas como a “Veja” – cuja qualidade jornalística é completamente questionável – como prova desta ou daquela acusação. Quem perde diante disso é o eleitor brasileiro, que não pode escolher seu candidato a partir da avaliação de suas propostas. A verdade é que em um contexto de eleições (e também devido ao próprio funcionamento das instituições no país), não temos como saber o que realmente aconteceu ou até mesmo descobrir os verdadeiros culpados pela quebra do sigilo fiscal, pelo menos não agora. Em um Estado de Direito e Democrático, denúncias não se equivalem a sentenças (isso só acontecia na época da Ditadura Militar), pois existe um processo legal que deve seguir os procedimentos previstos na Constituição e no Código Processual. O que eu chamo de “golpismo” nada mais é do que uma especialização da mídia alarmista e sua insistência em transformar (por força da repetição de acusações) uma denúncia em fato consumado. Como o seu candidato (Serra, o menino de ouro da Rede Globo e suas associadas) não está conseguindo se colocar como opção para o eleitorado a partir das suas propostas políticas, a velha tática golpista surge como última opção. A questão é que o povo brasileiro já não é mais vulnerável como antigamente, fato que ficou comprovado no evento do chamado “mensalão”. Não é um salário mínimo ou denúncias que irão comprar o voto do eleitorado. O PDSB e seus aliados (o velho PFL) vão perder mais do que ganhar com essa tática alarmista de tentar virar o jogo a partir de um golpe midiático (apesar desta tática ter dado certo em outras ocasiões, como quando Collor foi eleito devido a manipulações midiáticas da Rede Globo).

A revista “Veja” é declaradamente mentirosa e suas táticas jornalísticas deveriam ser investigadas pelo Ministério Público, pois são completamente contrárias à função social que todo meio de comunicação deveria exercer (conforme manda a Constituição Federal de 1988). Com seu estilo sensacionalista, a Veja busca usar o seu poder para transformar uma denúncia (acusação que deve ser investigada) em fato consumado, exercendo a função jurídica que deveria ser dos magistrados. Num efeito cíclico, os demais meios de comunicação (assim como a propagando política dos candidatos) passaram a usar a notícia da Veja como fonte para suas divagações, como se o simples fato da denúncia já fosse uma comprovação da culpa deste ou daquele candidato (neste caso, a Dilma). Com isso, mais uma vez, meios de comunicação comprometidos com a candidatura Serra – Rede Globo, Folha de São Paulo, editora Abril e outras – não contribuem em nada com a democracia brasileira, buscando usar do seu poder midiático para forçar um contexto de crise institucional que podemos denominar de “golpista”. O que mais impressiona é que jornalistas e comentaristas supostamente sérios embarcaram nesta onda sem o menor constrangimento ético, reproduzindo a “denúncia” como se fosse fato, o que na verdade não é. Uma denúncia é apenas uma acusação que deve ser investigada através do devido procedimento legal. No nosso país, existem instituições que são responsáveis por investigar as denúncias e até onde eu sei esta não é uma função da mídia e dos jornalistas. É claro que a denúncia deve ser divulgada, o problema é quando ao divulgar a denúncia você imprime um deslocamento de significado que transforma a acusação em fato consumado, que é o que a mídia tem feito na última semana. Mais uma vez assistimos o velho “golpe midiático”, ou seja, o uso indevido do poder da mídia para forçar um ambiente de crise institucional e aterrorizar o eleitor de forma que ele fique tão confuso a ponto de não saber mais em quem votar (ou resolva votar no candidato da oposição!). Felizmente, a sociedade brasileira mudou nos últimos 15 anos e está mais preparada para adotar uma posição crítica em relação aos “fatos” que são divulgados na mídia.

A verdade é que o Serra representa um atraso para a nossa sociedade, nem tanto pela sua pessoa, mas devido as suas parcerias e seus “companheiros” de campanha. Ainda bem que a sociedade brasileira se deu conta disso em tempo e logo vamos poder nos livrar deste lunático.

Já Dilma demonstra ter um compromisso maior com alguns princípios importantes da democracia, mas peca devido a sua perspectiva demasiadamente desenvolvimentista. Veja bem, não sou contra o desenvolvimento, pois a nossa sociedade precisa crescer. A questão não é tanto sobre se desenvolver ou não se desenvolver, mas sobre “como se desenvolver”. Que tipo de desenvolvimento nós queremos para o nosso país? O desenvolvimento não pode ser feito a partir da exclusão da forma de vida dos povos indígenas e tradicionais (conforme vem ocorrendo com a obra carro-chefe do PAC, a hidroelétrica Belo Monte), mas a partir da inclusão dessas populações, o que significa que precisamos construir um caminho mais sustentável para o nosso desenvolvimento, buscando alternativas mais democráticas de crescimento econômico. Essas alternativas já não são mais sonhos e divagações, pois existem exemplos concretos que podemos adotar. A questão é que Dilma está comprometida com alguns setores da sociedade brasileira que possuem uma visão de desenvolvimento completamente predatória e etnocêntrica.

Por isso sou favorável neste primeiro turno a candidatura de Marina Silva, pois acredito que a única forma de discutirmos que tipo de desenvolvimento nós queremos para o nosso país seja levando a candidata do PV a disputar o segundo turno com Dilma, pois isso ajudaria a dar maior visibilidade à questão socioambiental. Ainda acredito na possibilidade de um crescimento da Marina nestas últimas semanas de campanha eleitoral e vejo com bons olhos um segundo turno entre Marina e Dilma. A candidatura do PV cresceu sensivelmente no DF, chegando aos 24% das intenções de voto, o que demonstra que é possível alterar o quadro atual. Basta que Marina continue subindo nas outras regiões para que a sua candidatura ganhe força.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

A Redescoberta do Desenvolvimentismo Conservador: será possível reinventar a roda?

O discurso de Lula na assinatura da concessão pública para a construção da usina hidroelétrica Belo Monte é um marco da política do “desenvolvimentismo conservador” que o PT vem implementado e cujo marco fundamental tem sido o PAC. Inclusive, não estamos diante de uma descoberta do PT ou do Lula, mas da reprodução de um pensamento governamental que foi concebido há mais de 50 anos atrás na celebre frase de JK “50 anos em 5”. Segundo o nosso presidente, Belo Monte é um reflexo de um estado fortalecido e atuante, em suas próprias palavras, que “não tem medo de governar”. O único fato lamentável é que a lógica por trás da ação governamental, pelo menos neste caso, esteja movida por uma visão extremamente conservadora de desenvolvimento. Para Lula e seus seguidores (incluindo tanto Dilma como Serra), a visão desenvolvimentista é apontada como uma grande conquista por economistas eméritos, quando nada mais é do que uma versão nem tão democrática do velho desenvolvimento militarista da época da ditadura. E, ao que parece, apesar de vivermos num ambiente democrático, o nosso presidente sindicalista parece ainda pensar de forma tão autoritária como seus antigos inimigos de farda. Para Lula, Governar significa passar por cima da Constituição Brasileira e dos interesses dos grupos diretamente afetados pela construção de Belo Monte. Afinal, o governo não respeitou o direito de consulta das populações diretamente atingidas pela obra ou o tempo do debate democrático com a sociedade, pois preferiu introduzir cargos de confiança na estrutura do governo (Funai, Ibama) para "fazer passar a obra a qualquer custo", passando por cima de laudos técnicos contrários aos interesses dos empresários envolvidos na construção da úsina Belo Monte.

Essa visão de desenvolvimento é tão ultrapassada que no mesmo momento em que o Governo assinou a sentença de morte da bacia do rio Xingu, o presidente Obama anunciava altos investimentos em fontes alternativas de energia. Será que ninguém informou o presidente que, na verdade, a grande novidade não é o desenvolvimento (1970/80), mas sim tentar pensar "outra forma" de desenvolvimento, um "desenvolvimento alternativo" baseado no princípio da sustentabilidade.

O mais irônico em tudo isso é vermos a mais “nova” vedete do pensamento econômico brasileiro lançar o “desenvolvimentismo” como a grande descoberta da vez, quando, na verdade, nada mais é do que uma reprodução do velho conservadorismo industrialista que sempre reinou no Brasil pelo menos desde a década de 1950. Somente pessoas mal informadas e que não conhecem a história recente no nosso país podem acreditar que algo tão velho pode ser lançado como a grande novidade do momento. A ironia é que no Brasil constumamos lançar grande idéias com algumas décadas de atraso!

Alguém precisa avisar o Planalto que precisamos descobrir uma nova forma de desenvolvimento que leve em conta o nosso potencial nativo: a nossa sociobiodiversidade. Isso significa não cometer os mesmos erros de antigamente. Precisamos investir em novas idéias e novos projetos. Precisamos repensar a nossa base energética a partir de princípios mais sustentáveis. Com uma área tão favorecida pelo sol, por que não investir em fontes de energia solar? Que pensamento desenvolvido é esse que ao se desenvolver faz isso a partir de perspectivas extremamente conservadoras sobre o desenvolvimento?

É uma pena que o nosso presidente não possua a sensibilidade necessária para entender que obras como Belo Monte representam um atraso para a nossa sociedade ao reproduzirem um desenvolvimento antropofágico, que se faz em detrimento da vida (cultural e ambiental) de parcelas importantes da nossa população. Não precisamos destruir o meio ambiente para gerar energia elétrica. Não precisamos destruir a cultura e a vida dos índios para gerar desenvolvimento. Será que alguém pode avisar o presidente Lula que o pensamento gestado nos quartéis militares já está ultrapassado? Será que alguém pode avisar a Maria da Conceição Tavares que é impossível reinventar a roda quando já existem bilhões de carros poluindo o meio ambiente?

Na realidade, a diferença entre o “Avança Brasil” e o “PAC” não é qualitativa, mas quantitativa. No final, o que temos é o mesmo pensamento conservador e tecnicista que vem se reproduzindo como mentalidade governamental há mais de 50 anos e que agora é apresentado ao público (percebido enquanto conjunto de “consumidores”) como o novo produto de idéias inovadoras.

O que precisamos é de um desenvolvimento democrático e sustentável, que seja pautado pelo princípio da inclusão das populações que foram historicamente excluídas dos projetos desenvolvimentistas – os índios, os povos “tradicionais”, os pobres, os negros, as mulheres – nos projetos governamentais. O desenvolvimento não pode continuar sendo feito “contra” esses importantes setores da nossa sociedade, como se eles fossem o sinal do nosso atraso em relação aos "países desenvolvidos", algo que precisa ser superado pelas forças históricas do “desenvolvimento a qualquer custo”. Afinal, existe pensamento mais conservador do que esse?

Como diria Sérgio Buarque, o problema do Brasil é que a nossa elite governa o país com os olhos na Europa (e hoje, cada vez mais, nos Estados Unidos e na China) e de costas para esse imenso continente chamado Brasil. Por isso conseguimos fazer grandes descobertas ultrapassadas!

sábado, 11 de setembro de 2010

Reflexões sobre "War and Peace of Microbes" (1ª Parte - The Pasteurization of France) - Latour

Bruno Latour propõe deslocar o olhar antropológico para o centro das sociedades ocidentais. Desde o seu primeiro livro, Vida em Laboratório, baseado em pesquisa de campo realizada na década de 1970, na Califórnia, a sua proposta etnográfica se alia perfeitamente ao objetivo maior de construção de uma antropologia da ciência.

Em The Pasteurization of France, Latour propõe não separar a ciência/tecnologia da sociedade. Ainda na introdução desse livro, o autor apresenta sua proposta metodológica: não definir a priori uma lista de atores que serão objeto de análise. Não precisamos estabelecer um “mundo” a ser analisado, e nem mesmo quais atores e alianças são fortes ou fracas. O que precisamos fazer é abordar as relações de força a partir de uma antropologia simétrica, definindo um ponto de partida e seguindo a rede de traduções realizadas pelos atores.

Nesse livro, Latour aplica a sua metodologia para analisar a “revolução científica” promovida por Pasteur como um caso exemplar da ciência em ação, pois essa “revolução” ocorreu no auge do iluminismo cientificista e foi representada como a vitória definitiva do esclarecimento sobre a escuridão: um caso bem sucedido de aplicação do método científico para solucionar o “problema” da emergência das epidemias que assolavam as metrópoles européias.

Como exercício de aproximação, Latour propõe abrir a caixa-preta da “Revolução Pasteuriana”. Para isso, é preciso romper com a idéia de que Pasteur sozinho e a partir da sua genialidade regenerou a ciência e fundou uma nova medicina, uma nova biologia. É preciso decompor a eficácia de Pasteur devolvendo a liberdade de ação aos demais atores.

Ao analisar o contexto histórico em que Pasteur estava inserido percebemos que antes mesmo do seu nome ser reconhecido pelos seus colegas cientistas havia uma preocupação geral com a regeneração do homem da sua época, o que só poderia ser feito a partir da aplicação do método científico através de um programa de reformas sociais e políticas. Corpos e forças de produção não atuam isolados, mas são os efeitos inevitáveis de uma nova concepção de “governamentalidade” baseada basicamente na idéia de “população” como força característica dos Estados Nações, contexto muito bem descrito na arqueologia da ciência realizada por Foucault. Esta era a guerra que estava em andamento quando Pasteur resolveu abandonar a ciência dos cristais. A crença na objetividade científica era também uma promessa de reformulação da sociedade e do homem.

Para entendermos como Pasteur passou a ser representado, em pouco tempo, como o gênio que revolucionou a ciência e a sociedade, precisamos entender antes o movimento higienista. Os artigos desse grupo podem ser identificados por portarem um estilo específico. A retórica higienista - composta por uma acumulação de avisos, precauções, receitas, opiniões, estatísticas e regulações - não possui um argumento central. O grande problema dos higienistas do período não era a ausência de argumentos, mas o excesso de informações: se qualquer coisa pode causar doença, nada pode ser ignorado e é preciso agir em todos os lugares ao mesmo tempo, situação um tanto caótica para quem pretende revolucionar a sociedade. Em um contexto como esse, os higienistas precisavam de uma teoria que explicasse a variabilidade da doença.

Foi então que, a partir de 1880, eles passaram a utilizar como referência principal os argumentos de Pasteur, sem nunca questionar suas afirmações, confiando inteiramente em suas idéias e passando a generalizá-las sem maiores questionamentos. Conforme afirma Latour, a força de uma teoria não reside em si mesma, mas com o que é feito com ela: para colocar um argumento em movimento precisamos conquistar aliados e mobilizar novos contingentes militares.

Para os higienistas o que importava é que eles poderiam continuar suas investigações sobre os múltiplos fatores que influenciavam na propagação de doenças, mas ordenando e hierarquizando esses fatores conforme a atuação dos micróbios. Pela primeira vez eles passaram a ter um alvo preciso e conseguiram centralizar suas forças e ordenar o seu ataque. Os higienistas não eram modernos frente aos resistentes, considerados anacrônicos, mas eles se fizeram modernos ao ultrapassar os demais, ao multiplicar a eficácia de suas investidas teóricas, ao fazer com que o tempo passasse a trabalhar a seu favor. E foi exatamente para atingir os seus próprios objetivos e interesses que os higienistas passaram a apoiar, ampliar e generalizar todo argumento sobre micróbios. Sob o custo de aceitar o poder da microbiologia e eleger Pasteur o gênio da sua época, eles conseguiram avançar na sua causa mais rápido e conseguiram intensificar o seu poder sob seus adversários, fossem eles micro-parasitas, doenças ou autoridades públicas.

Por outro lado, os “pasteurianos” também se posicionaram em relação aos higienistas, mas fizeram isso de uma forma muito especial. Num primeiro momento, eles foram ao seu encontro, depois se movimentaram na mesma direção. Mais tarde, pretendendo direcioná-los, acabaram por redirecioná-los ao somar um elemento crucial: o laboratório. Esse é o movimento de tradução/translação realizado pelos pasteurianos: trazer seus adversários para seu campo de batalha. O laboratório é o único espaço onde esses cientistas reinavam inteiramente e é a partir deste espaço que eles vão buscar convencer seus adversários.

Mas porque Pasteur ganhou força no laboratório? Ele ganhou força porque lá os fenômenos do “mundo real” se tornaram fracos ao serem dominados por seres humanos que se tornaram fortes. Com auxílio de suas máquinas – tubos de ensaio, reguladores de temperatura, substância químicas e, principalmente, os microscópios que permitiram transformar agentes invisíveis em micróbios – os homens ganharam uma força extraordinária sobre os seus adversários. Os elementos de inscrição da realidade - instrumentos de disciplinarização do espaço-tempo - possibilitaram a transcrição de fenômenos abstratos em uma linguagem facilmente reconhecível por outros setores da sociedade. Estamos diante de um "riot" científico e de um nivelamento de forças nunca antes possível.

Mas, nesse movimento, o próprio laboratório foi um pouco além ao eleger o problema da variabilidade da doença – de interesse dos higienistas – num problema experimental. Como tal sobreposição de interesses se tornou possível sem ocasionar divergências e conflitos? A questão é que as duas gerações distintas de cientistas acreditaram por um tempo que eles se entendiam uns aos outros, agindo a partir deste mal entendido e intensificando a sua força ao se direcionarem paralelamente – o que só foi possível a partir de um movimento de tradução. Traduzir interesses significa oferecer novas interpretações desses interesses e canalizar as pessoas para direções diferentes.

O próprio Pasteur traduziu seus interesses ao deixar de levar adiante, e de forma quase que isolada, os seus próprios “problemas científicos”, para inclinar-se ligeiramente na direção dos “problemas” que ocupavam a atenção de um número bem maior de pessoas. Pasteur abandonou a cristalografia para se dedicar ao problema da fermentação, posicionando-se no centro de interesses da indústria de cervejas, vinagre e vinho, cujo peso econômico era muito maior do que o potencial dos seus colegas, estudiosos dos cristais. Acima de qualquer outra coisa, Pasteur transformou num problema de laboratório um problema econômico crucial, fazendo com que toda a indústria passasse a se interessar pelo sucesso dos seus experimentos e pelo sucesso do seu laboratório (mais recursos humanos e materiais, microscópios mais potentes). Um pouco mais tarde, ele fez o mesmo com a indústria da seda, para só depois aplicar os avanços adquiridos até então ao problema das doenças contagiosas (problema ao qual ele ainda não havia se dedicado). Em cada um desses momentos ele seguiu a demanda que essas forças estavam apresentando, mas impôs sob essas demandas uma formulação específica a qual só ele tinha a resposta.

Mas ainda era preciso fazer o movimento de retorno: ir do laboratório para a “realidade externa” ou ampliar o laboratório a ponto que ele passasse a abranger a própria sociedade. Era preciso teatralizar a prova, reformar os antigos cenários da doença, conduzir pequenas transformações no ambiente a partir de certo número de procedimentos: os animais vacinados tinham que ser separados dos animais não vacinados e devidamente identificados; todos os dias as suas temperaturas tinham que ser verificadas e anotadas; as seringas utilizadas tinham que ser esterilizadas. Nada disso ocorria antes numa fazenda “tradicional”. Esse projeto de transformação do meio externo só foi possível com o consentimento dos fazendeiros, com quem os cientistas também tiveram que negociar e se associar.

Mas nem todos os coletivos se colocaram em marcha em nome da revolução. Havia também grupos mais rebeldes, menos dispostos a se colocar em movimento, que numa ação defensiva buscaram manter o seu "status quo". Esse foi o caso dos médicos civis franceses. Afinal, todos os avanços apresentados por Pasteur apontavam, pelo menos num primeiro momento, para a dissolução da profissão médica tal qual ela era praticada na época, baseada na relação médico-paciente e na cura de doenças. O que os médicos deveriam fazer com aqueles métodos e doutrinas que representavam uma ameaça a sua profissão? Talvez se eles fossem fortes, contassem com um bom número de aliados... Mas não era esse o caso: os médicos sofreram quase tanto quanto os próprios micróbios. Eles estavam praticamente isolados e não podiam fazer nada além de se negar a ingressar no exército pasteuriano.

O certo é que ou os médicos podiam utilizar o que estava sendo produzido pelo laboratório Pasteur para avançar seus próprios interesses, ou eles não podiam. Se eles pudessem, qualquer argumento, não importa o quanto revolucionário ele pudesse ser, seria compreendido e utilizado o quanto antes. O fato é que a inovação pode levar tempo quando os interesses parecem não coincidir ou não podem ser traduzidos a partir de um mal entendido em comum. Como que os médicos iriam cooperar com um programa que era a própria promessa de extinção da doença, do doente e por reflexo do próprio médico? Tanto os higienistas como os pasteurianos trabalhavam para que a doença não se propagasse através do contágio, promovendo a prevenção em detrimento do tratamento cirúrgico.

Neste caso, os médicos acabaram tendo que traduzir seus interesses, mas não sem levar as demais forças a se deslocar levemente. Se os médicos se negavam a ir em direção ao laboratório com medo de reificar ainda mais a sua força e sua eficácia, o laboratório teve que ir até eles. Desta forma, o único preço que teriam que pagar é que os seus consultórios fossem transformados numa extensão do laboratório Pasteur.

O que percebemos neste estudo de caso realizado por Latour é que o fato científico é construído coletivamente, que os cientistas são levados a traduzir seus interesses e se associar com outras forças para levar adiante seus projetos. As redes compostas por humanos e não humanos transpassam o laboratório e a sociedade. Napolião não está sozinho: dêem as batatas aos vencedores!

Obs. Texto apresentado no Seminário Avançado em Teoria Antropológica II, ministrado pela Profª Mariza Peirano, no PPGAS da UnB (2008).

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Novidades na Biblioteca Antroposimetrica

Environmentalism Brazil: Between Domestic Identity and Response to International Challenges - Alonso & Clémençon

Indigenous People and Conservation - J. Alcorn

Indigenous Knowledge for Biodiversity Conservation - F. Berkes

Biodiversity Datadiversity - G. Bowker

Scribble (Writing Power) - Derrida

The Challenges of Interculturality: indigenous people and sustainable development subprojects in Brazilian Amazonia - P. Little

Introdução ao Pensamento Complexo - Edgar Morin

Conservation and Development alliances with the Kayapó of south-eastern Amazonia - B. Zimmerman & T. Turner

Piercing Distinctions: the making (and Re-making) of Social Contract in the Northwest Amazon - J. Chernela

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Desaparecimento de indígena mobiliza a comunidade de Y Hovy em Guaira, Paraná

Desde o dia18 de agosto de 2010, o indígena Guarani João Martins, morador do Tekoha Y Hovy, município de Guaira, se encontra desaparecido. Nas palavras do cacique Ilson Soares “estamos muito preocupados, pois, ele jamais abandonaria a comunidade desta forma, já entramos em contato com várias aldeias da região e até do Mato Grosso do Sul e ninguém sabe o seu paradeiro, já estamos conformados com o pior”.
A comunidade de Y Hovy se encontra em uma área ocupada, ainda não regularizada, de 17 alqueires que pertencem – parte ao um proprietário local – parte a prefeitura municipal de Guaira. A comunidade de Y Hovy, que conta com 12 famílias, tomou posse da área em 07 de novembro do 2009, e desde então vem resistindo e reclamando a terra como tradicional. A FUNAI já afirmou que irá tomar providências para a identificação da terra, mas, ainda nada foi feito. Nas palavras de Ilson, esta situação “vem se tornando cada vez mais difícil, pois, não sabemos se o desaparecimento de João Martins pode estar relacionado à questão da terra ou não, a verdade é que sempre recebemos ameaças de um e de outro, então, a gente não sabe o que pode acontecer”.


Logo após o desaparecimento as aldeias da região foram até Y Hovy e fizeram uma grande busca com o auxílio da polícia federal e civil, e encontraram o colar de João Martins quebrado perto de sua casa e sinais de sangue, porém, nenhum corpo. O desaparecimento está registrado junto à polícia civil, porém, as buscas terminaram, a polícia afirma que agora devem esperar o surgimento de “um fato novo” para continuar as investigações. A comunidade está convencida que João Martins foi assassinado, segundo Ilson “não sabemos o que aconteceu, mas, ele deixou o feijão cozinhando no fogo, o feijão secou, queimou, o fogo apagou e ele não voltou a casa”.

Ainda conforme a comunidade, João não tinha problemas de saúde que pudesse lhe causar nenhum mal repentino. A polícia afirma que ainda não tem nenhuma linha de investigação e também nenhum suspeito. Para a comunidade, a desparecimento de João Martins pode estar relacionado à luta pela terra, “por aqui todos estamos com medo, estamos organizando nossos txondaros para fazerem vigília a noite e rezando bastante para que ñanderu nos ajude a achar o corpo do nosso parente, mas, aconteça o que acontecer, não iremos sair desta terra”.

Fonte: Redes Virtuais (Aepim) Blog - http://acordaterra.wordpress.com/
Paulo Porto – OPAN
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