quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Lula: o filho do Brasil

Para quem não viu, vale apena ver:

Lula: o filho do Brasil.

O filme conta a história do Presidente antes dele se tornar o líder do Partido dos Trabalhadores (PT). Independente de concordar ou não com a política do seu governo nos últimos oito anos (deixo claro, desde já, que concordo mais do que descordo), vale apena ver o filme para entender melhor a figura humana por trás do líder político. Ao conhecer a história, por assim dizer, dos bastidores do poder, fiquei surpreso que uma pessoa como o Lula tenha se tornado um dos melhores Presidentes da história do Brasil. Explico: é que num país com tanta desigualdade e injustiça social e onde o fenômeno de "subir na vida" é considerado praticamete um milagre, a história do Lula pode ser considerada o retrato de um Brasil que ainda está por nascer. Quando o filme termina, ficamos com aquele sentimento de esperança que só as grandes histórias de vida proporcionam.

Além do mais, como um efeito de contraposição, o filme é mais uma prova de que o diploma de doutor não garante um bom governo. Basta lembrar da grande decepção que foi a passagem do Doutor Fernando Henrique pelo Palácio da Alvorada. Filho de um militar, o Fernandinho só conseguiu ser melhor do que outro Fernando, aquele que teve que sair do Governo pela porta dos fundos.

Viva o Brasil! Viva o Lula! Viva todos nós que acreditamos num Brasil melhor!

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Reverter o Aquecimento Global: uma questão de cidadania


Basta ligar a televisão, o rádio ou ingressar na internet para acompanhar as constantes notícias sobre desastres naturais em estados como o Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Amazonas, Pará e São Paulo, assim como em países do continente europeu, os Estados Unidos e a China. E não se trata apenas de papo de jornalista, pois as populações ribeirinhas que vivem no Amazonas, por exemplo, vivenciaram os efeitos nefastos da cheia e da seca mais intensa dos últimos cem anos. Populações indígenas do Alto Rio Negro também reclamam que os rios da região estão secando e os peixes morrendo. Lugares que nunca vivenciaram grandes desastres climáticos estão começando a fazer parte da longa lista de populações atingidas pelos efeitos do aquecimento global.


Sei que muitos de vocês podem estar pensando neste momento: sim, mais uma ação da mídia alarmista, nenhuma novidade. Pois bem, em maio de 2009 o “Fórum Humanitário Global”, presidido pelo ex-secretário geral da ONU, Kofi Annan, divulgou um amplo estudo sobre os efeitos do aquecimento global: atualmente, 300 mil pessoas morrem anualmente em decorrência da mudança de clima, vítimas de uma longa lista de catástrofes. Além do mais, o relatório também aponta que, mantido os padrões atuais, o número pode subir para meio milhão de pessoas, já em 2030, e as perdas econômicas podem atingir a casa dos U$ 125 bilhões anuais. Mais de quatro bilhões de pessoas estão “vulneráveis”, a maioria delas habitantes dos países menos desenvolvidos. É claro que, assim que o estudo foi divulgado, surgiram inúmeras controvérsias em torno da metodologia utilizada, mas até mesmo os críticos mais vorazes reconheceram que estamos diante do grande desafio humanitário do século XXI. Por último, é importante mencionar que os dados revelados por esse relatório já tinham sido apontados dois anos antes pela “Oxfam Internacional”, instituição formada, em 1995, por 12 organizações não-governamentais. Segundo relatório divulgado ainda em 2007, estudos científicos demonstram que os desastres climáticos aumentaram mais de 400% nos últimos 20 anos: se em 1980 a média de desastres registrada era de 120 por ano, hoje esse número chega perto de 600.


O caso de Angra dos Reis é paradigmático. Desmoronamentos ocorrem na região há muitos anos e podem ser explicados pela geologia dos solos. No entanto, conforme já relataram os especialistas, a ação humana (poluição, estilo de vida e etc.) e não-humana (até mesmo os bovinos possuem a sua parcela de culpa pelo aquecimento global) foi determinante na ampliação dos efeitos do fenômeno geológico: seja indiretamente (a intensidade das chuvas é um efeito do aquecimento global), seja diretamente (as construções irregulares ampliam ainda mais o risco de desmoronamento). Pessoas que vivem na região há mais de 60 anos foram unânimes em afirmar que jamais tinham vivenciando um desastre de tamanha proporção.


Muitas famílias perderam seus entes queridos neste final de ano e sentiram o sofrimento causado por um estilo de vida insustentável. O que mais me surpreende diante de tudo isso é que ainda existem intelectuais que acreditam em teorias de conspiração (para essas pessoas, a tese do aquecimento global seria uma estratégia de impedir o desenvolvimento de países como o Brasil, a China, a Índia e a África do Sul), outros não conseguem relacionar as suas micro-práticas diárias e o seu estilo de vida insustentável com o que está ocorrendo em sua volta. Neste contexto, até mesmo os cientistas mais conscientes dão início ao seu trabalho de conscientização explicitando que não gostariam de ser confundidos com “ambientalistas” ou militantes da causa ambiental. Até por que, no Brasil, o pensamento colonizado acha que a reflexão crítica não se dá bem com a ação política, como se as duas coisas fossem antagônicas. Ou o sujeito é um “cientista” ou um político, tese absurda que deve muito a uma visão da ciência já amplamente ultrapassada.


Enquanto discutimos nossas teorias sociais em ambientes climatizados, são os pobres e as populações tradicionais (incluindo os povos indígenas) que sofrem mais diretamente as conseqüências do aquecimento global: segundo o Relatório de Desenvolvimento Humano de 2007-08 do PNUD, a mudança climática afeta 78 vezes mais os países pobres. Afinal, nossas casas são regulares e temos recursos para recomeçar tudo de novo diante de um grande desastre, já a população mais carente pode levar décadas para reconquistar o pouco que conseguiu durante anos de trabalho duro; da mesma forma, as florestas e rios onde vivem as populações indígenas e tradicionais podem levar séculos para se recuperarem. Por outro lado, a perda de um parente não poderá nunca ser superada e, neste sentido, podemos afirmar que o aquecimento global é extremamente democrático, apesar de não ser vivenciado da mesma forma pelos diferentes setores da população.


Até mesmo em redes virtuais onde a Cidadania parece ser o tema de interesse dos participantes, vemos um completo silêncio diante de momentos como os que estamos vivendo atualmente. O fato é que enfrentamos um momento histórico em que já não podemos mais defender a tese de que Cidadania e Aquecimento Global são duas coisas completamente diferentes.


Acredito que este é o momento mais adequado para fazer uma revisão permanente dos nossos hábitos e do nosso estilo de vida, assumindo a responsabilidade pelos desastres que estão ocorrendo no mundo e admitindo que, sim, todos nós somos culpados. Não são apenas as multinacionais que são culpadas pelos desastres climáticos, mas você, que acredita na vida e busca fazer o melhor no seu dia a dia.


Mas eu lhe pergunto: será que estamos fazendo o suficiente? Será que estamos realmente nos mobilizando para reverter este processo em andamento? Será que ainda temos tempo? Sei que a causa não é nenhuma novidade para muitos de vocês, afinal, os ambientalistas já apontavam para este contexto histórico desde a década de 1980, mas será que ainda estamos diante de uma causa exclusiva dos ambientalistas? Ou estaríamos enfrentando um problema diretamente relacionado à cidadania de todos nós?


Escrevo estas linhas porque acredito que a mudança não depende dos nossos governantes, mas de todos nós, pessoas comuns. Essas dicas podem soar didáticas demais, mas, acredite, sei o quanto é difícil colocar em prática mudanças como essas no nosso dia a dia e é exatamente por isso que devemos ter a consciência que estamos diante do maior desafio global do século e que só vamos superar esses problemas juntos, em coletivo. Por isso, podemos buscar uma mudança gradual, tentando, por exemplo, colocar em práticas algumas dessas dicas e buscando alternativas que promovam uma relação de dádiva com o meio ambiente. Sei que não é fácil, MAS NÃO CUSTA TENTAR!

Para contribuir com este processo, segue abaixo uma pequena lista de coisas que podemos fazer no nosso dia a dia e que podem fazer a diferença nos próximos anos:


1) TROCA DE LÂMPADAS: se você trocar as lâmpadas convencionais por fluorescentes compactas estará deixando de gerar centenas de quilos de dióxido de carbono por dia;
2) RECICLAGEM: talvez essa seja uma das ações mais importantes: recicle seu lixo e exija dos seus governantes uma coleta especializada e o incentivo a criação de cooperativas e associações de reciclagem na sua cidade... Promova essa idéia entre os seus vizinhos com aquele pequeno panfletinho que você mesmo pode fazer;
3) CONSUMO DE ÁGUA: economize ao máximo o consumo de água na sua residência e promova essa idéia entre seus vizinhos... Tome menos banho quente durante o verão e fique menos embaixo do chuveiro;
4) NÃO USE SACOLAS PLÁSTICAS: adquira aquela velha sacola de pano e use para fazer suas compras;
5) AR-CONDICIONADO: use só quando necessário e sempre na temperatura adequada: não exagere!
6) PLANTE ÁRVORES: se cada pessoa plantar uma única árvore durante o ano, já estaremos ajudando bastante... Cobre de seus governantes uma postura ambientalmente correta e uma fiscalização mais rigorosa;
7) ELETRODOMÉSTICOS: para que deixar o computador ligado se você está assistindo TV? E aquela lâmpada acessa no corredor? Use eletrodomésticos com consumo A++, eles são mais econômicos e ajudam a preservar o meio ambiente;
8) UTILIZE MATERIAL RECICLADO: existem fabricantes de papel reciclado ou que trabalham de uma maneira sustentável;
9) COMER MENOS CARNE (o que não significa “não comer”): diminua o consumo de carne na sua casa, afinal, a flatulência dos bovinos também é responsável pelo aquecimento global; Você que gosta de um bom churrasco aos finais de semana, comprometa-se em colocar em prática políticas compensatórias, como consumir menos carne durante o restante da sua semana.
10) DEIXAR O CARRO NA GARAGEM: caminhe mais e compartilhe o carro sempre que possível, além de ficar mais saudável e ser mais solidário, você estará colaborando para o bem estar de todos nós;
11) Pressione seus governantes para a melhoria do transporte público e para a instalação de ciclovias;
12) Pressão dos pneus: manter a pressão dos pneus no valor correto ajuda a melhorar o rendimento do combustível do seu automóvel;
13) Adquira veículos menores fabricados segundo as normas e especificações ambientais;
14) SAIA DO ARMÁRIO: assuma esta bandeira e faça você mesmo a diferença.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009


O ano já está chegando ao fim e, certamente, cada um de vocês viveu inúmeras emoções, enfrentou dificuldades e felicidades, planejou novos projetos e buscou imaginar novos horizontes. Ainda temos muito o que conquistar junto com nossos irmãos que ainda vivem os efeitos perversos da desigualdade e da injustiça. Mas, não podemos nunca esquecer que a esperança e a persevarança são as armas mais poderosas do mundo. E é por isso que posso dizer com tranquilidade: fico feliz em saber que tenho bons amigos para compartilhar os bons e maus momentos, as felicidades e infelicidades, enfim, a vida! Por isso, queria desejar a todos um Natal cheio de solidariedade e bons pensamentos. Que o bom velhinho esteja conosco. Espero que o ano de 2010 reserve boas surpresas para todos nós.

Como já dizia um velho conhecido da esperança, "é preciso endurecer, mas peder a ternura, jamais!".

Um grande abraço para todos

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Simetria como princípio metodológico




"Isto porque o objetivo do princípio de simetria não é apenas o de estabelecer a igualdade - esta é apenas o meio de regular a balança no ponto zero - mas também o de gravar as diferenças, ou seja, no fim das contas, as assimetrias, e o de compreender os meios práticos que permitem os coletivos dominares outros coletivos"

(Jamais Fomos Modernos - B. Latour, p. 105)

Uma posição triplamente simétrica

1) Explicar com os mesmos termos as verdades e os erros;

2) Estudar ao mesmo tempo a produção dos humanos e dos não-humanos;

3) Ocupar uma posição intermediária entre os terrenos tradicionais e os novos, porque suspende toda e qualquer afirmação a respeito daquilo que distinguiria os ocidentais dos Outros.

(Jamais Fomos Modernos - B. Latour, p. 101-2)

sábado, 19 de dezembro de 2009

O Contrato Natural




"Um retorno à natureza! Isso significa elaborar em anexo ao nosso Contrato Social um Contrato Natural de simbiose e reciprocidade; um contrato no qual a nossa relação com as coisas já não envolverá mais domínio e possessão, mas admiração, reciprocidade, contemplação e respeito, no qual o conhecimento já não implicaria mais em apropriação ou dominação".




O Contrato Natural - Michel Serres




Existem momentos e causas que exigem uma postura militante...


O encontro em Copenhagen acabou e muito pouco se avançou. É realmente lamentável que tanto seja feito para salvar a conta bancaria de empresários, ricos e famosos e tão pouco seja feito para preservar a existência da humanidade na terra. E o pior de tudo, conforme já observou Michel Serres, é que as pessoas que estão decidindo o nosso futuro passam seus dias em escritórios climatizados, enquanto boa parte da população dos países subdesenvolvidos sofre as piores conseqüências de um estilo de vida insustentável. Para quem vive no conforto do ar-condicionado e do aquecedor, a mudança climática é apenas um conceito. Assim, ainda é fácil dizer que podemos aguardar mais um ano, dois, três... Talvez até o momento em que os efeitos do nosso estilo de vida sejam traduzidos em grandes crises financeiras mundiais.

É impressionante como os governantes e técnicos conseguem chegar a um acordo com velocidade impressionante quando se trata de salvar suas economias e mercados, principalmente, quando são essas mesmas pessoas que impõem os maiores obstáculos ao avanço concreto das negociações.

O fato é que reverter um processo como esse exige que a mudança seja pensada não como um efeito de decisões tomadas pelos governantes, mas também por pequenas ações e práticas diárias. Todos nós somos responsáveis pela mudança climática e não apenas os bancários e governantes. Por uma ação continua para reverter a mudança climática e seus efeitos na vida de bilhões de pessoas!