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terça-feira, 7 de agosto de 2012

Curso de Campo Kayapó - 2012

Entre os dias 17 e 31 de julho,participei como instrutor em um curso de campo na aldeia mebêngôkre (Kayapó) A'ukre, localizada na TI Kayapó, no sudeste do Pará. O curso "Conservação, Vida Social e Desenvolvimento entre o Povo Indígena Kayapó do Sudeste da Amazônia" é uma iniciativa da Associação Floresta Protegida, do departamento de antropologia da Universidade de Maryland, em parceria local com a Universidade de Brasília (mais informações no link ao lado, "Curso de Campo Kayapó"). O curso - que integra a grade curricular do departamento de antropologia da Universidade de Maryland - é oferecido para alunos de graduação norte-americanos e também contou, neste ano, com a participação de uma aluna da China e com o acompanhamento de um grupo de estagiários Canadenses.

Os alunos matriculados ganham créditos pelas atividades e a iniciativa serve como um instrumento sustentável de geração de renda para a comunidade, que recebe uma taxa "comunitária" de U$ 400,00 por aluno, além de recursos repassados para as famílias e pessoas que participam diretamente nas atividades. Neste ano, o curso gerou cerca de R$ 10 mil em recursos disponibilizados diretamente para a comunidade, que possui grande demanda por iniciativas de geração de renda. O custo médio final para cada estudante chega próximo a US$ 3,5 mil, incluindo despesas com deslocamento e estadia.

O alto custo do curso é um dos principais fatores que dificultam a concepção de uma iniciativa semelhante voltada inteiramente (ou em parte) para estudantes brasileiros sediados em universidades federais. Atualmente, dois estudantes da UnB participam do curso como 'alunos visitantes', custeados pela Universidade de Maryland. Estamos buscando ampliar essa participação, seja através da incorporação de novas universidades parceiras, seja através da concepções de novos cursos, com novos parceiros.

A proposta geral do curso consiste em fornecer aos alunos noções fundamentais sobre uma diversidade de temas e disciplinas nas áreas de etnografia, etnologia, biologia e ecologia, buscando aliar o conhecimento didático fornecido no âmbito de seminários e oficinas com a vivência concreta de uma série de atividades desenvolvidas em contexto, nos espaços de habitação da aldeia, das trilhas comunitárias, dos rios e das diferentes paisagens ecológicas que compõem o ambiente local, estimulando em cada participante uma experiência existencial inesquecível. O tópico sobre "Técnicas de Pesca", por exemplo, é ministrado durante uma "expedição" com pescadores pelos diferentes ambientes de pesca existentes na região do entorno da aldeia. Nesse contexto, os alunos apreendem através da observação e experimentação direta das atividades de pesca, na companhia de instrutores e guias mebêngôkre. O mesmo ocorre com outros temas etnológicos e ecológicos abordados durante o curso, que não são apenas ministrados de forma didática, mas experimentados pelos estudantes.

A convivência, por um lado,  entre alunos, instrutores e estagiários de diferentes nacionalidades e, por outro lado, entre estes e os guias, instrutores e famílias indígenas que participam diretamente nas atividades promovidas durante o período, resulta em uma experiência de vida que supera as fronteiras linguísticas e socioculturais, constituindo um espaço-tempo de experimentação direta com a alteridade.

Deslocamento até a aldeia A'ukre (TI Kayapó, Pará)

Saí de Uberlândia no dia 17 de julho, por volta das 6:00hrs, em um avião pequeno da TRIP que me levou até Belo Horizonte, onde esperei por algumas horas até o horário da conexão em direção à Marabá, onde fiquei de encontrar o restante do grupo. A viagem foi relativamente tranquila, com uma breve passagem pela Serra dos Carajás. A visão aérea da região permite evidenciar o avanço do desmatamento, principalmente, ao sul e sudeste do Pará. Da janela da aeronave, é possível ver com nitidez os campos abertos no meio da mata, agora cobertos por uma pastagem rala que alimenta milhares de animais bovinos. Esses campos formam nódulos interligados por estradas de terra, onde os caminhões transitam levando e trazendo pessoas e coisas  das cidades para o interior. Trata-se de uma rede sociotécnica em intensa expansão que forma uma espécie de 'arco do desmatamento', que percorre o sul do Pará, do leste ao oeste. A grandiosidade da mata amazônica, no entanto, ainda predomina na paisagem como um verdadeiro oceano verde que resiste as investidas das frentes desenvolvimentistas. Uma parte considerável do trecho ainda em estado de conservação se encontra no interior da TI Kayapó, o que exige múltiplos esforços de fiscalização e proteção contra o avanço predatório de madeireiros e mineradores. Uma parte desse trabalho tem sido realizado pela AFP, em parceria com a FUNAI e outros parceiros locais.    

Cheguei em Marabá por volta do meio dia e encontrei Mayara, aluna da UnB, no aeroporto. Fomos encontrar o restante do grupo em um restaurante, onde almoçamos antes de continuar viagem até Tucumá. O trajeto Marabá-Tucuma está em condições deploráveis, com buracos imensos espalhados por toda parte, exigindo dos motoristas um cuidado redobrado. Levamos certa de 8 horas para percorrer um percurso de 400 km em um micro-ônibus. Chegamos em Tucuma por volta das 22hrs.

No outro dia de manha, a equipe fez uma reunião com os estudantes para apresentação do projeto, programação e exposição sobre a legislação indigenista atual e as diretrizes e regras de acesso ao conhecimento tradicional associado à biodiversidade (MP 2.186-16/2001).  Todos foram advertidos que a iniciativa visa unicamente a realização de atividades de ensino e de vivência extensionista. Os estudantes e instrutores foram informados sobre o compromisso, assumido pelo grupo frente aos órgãos governamentais, de não acessar conhecimentos associados à biodiversidade local, ponto com o qual todos concordaram sem qualquer objeção. Os estudantes também foram esclarecidos sobre os direitos autorais e procedimentos éticos associados aos direitos de imagem e receberam uma série de informações sobre o projeto. Ao final, um documento foi redigido e assinado por todos os integrantes do grupo, manifestando conhecimento sobre a legislação brasileira e o seu comprometimento em respeitá-la em todos os seus aspectos.

Por volta das 16hrs, eu, Kurt (estagiário canadense) e Tiago (instrutor mebêngôkre) partimos de avião para a aldeia A'Ukre, onde aguardamos até o dia seguinte pelo restante do grupo. A chegada na aldeia foi acompanhada por um grupo de crianças e mulheres que vieram nos receber na cabeceira da pista de terra. Também fomos recebidos por um dos caciques da aldeia e por Pat-i e Mecangô, instrutores mebêngôkre responsáveis por nos auxiliar com o curso.


Após montarmos nossas barracas na casa do projeto, fomos assistir um jogo de futebol no campo principal da aldeia, localizado ao lado da pista de pouso. Os mebêngôkre da aldeia A'Ukre, assim como seus parentes de outras aldeias kayapó da região, adoram jogar futebol, esporte que costumam praticar quase todos os dias, ao final da tarde. Eles participam todos os anos dos jogos municipais nas cidades de Tucuma e Redenção.



Atividades do Curso de Campo (2012)

Assim que os demais integrantes chegaram na A'Ukre, o coletivo inicial de estudantes foi dividido em dois grupos menores, sendo que o "grupo A" permaneceu na aldeia junto comigo, Laura, Phil e mais dois instrutores mebêngôkre e o "grupo B" foi de barco até a base de pesquisa Pinkaiti, acompanhados por Barbara, Pingo e um grupo de guias mebêngôkre.



No dia 24 de julho, o "grupo B" (acompanhados por dois estagiários canadenses) retornou para a aldeia e o "grupo A" (acompanhado pelo instrutor Phill) se deslocou até a base de pesquisa. Com isso, todos os estudantes tiveram a oportunidade de desfrutar da programação de atividades tanto na área de ecologia/biologia como na área de etnologia.

Segue abaixo a lista de atividades vivenciadas pelos alunos do curso durante o período de permanência na aldeia A'Ukre e na base de pesquisa Pikaiti.

Módulo de Etnologia Kayapó - Aldeia A'Ukre
Instrutores: Laura Zanotti, Diego Soares e Phill Nash
  • Tópico "Vivência na Roça e Agrobiodiversidade mebêngôkre": visita a roças mebêngôkre e debate com os alunos e guias indígenas sobre a diversidade de plantas e variedades cultivadas na roça ;
  • Tópico sobre mitos e histórias associadas às plantas cultivadas na roça;
  • Tópico "Vivência em Trilhas na Mata", caminhos comunitários utilizados na caça e na coleta de recursos diversos (realização de uma trilha de 28 km ou 12 horas até uma cachoeira);
  • Tópico "Paisagens da Aldeia": caminhada pela aldeia e oficina sobre ordenação sociocultural do espaço e a noção de "paisagens indígenas";
  • Oficina de Pintura Corporal seguida de seminário sobre "Gênero, pessoa e corporalidade entre os Mebêngôkre-Kayapó";
  • Tópico "Rituais e Vida Cerimonial": participação em danças e rituais que integram a vida cerimonial dos mebêngôhre da A'Ukre e discussão/debate com os estudantes sobre o tema;
  • Tópico "Educação Indígena": seminário/oficina com professores mebêngôkre da A'Ukre sobre a educação indígena na comunidade;
  • Tópico "Saúde Indígena": seminário/oficina com profissionais de saúde e agentes indígenas de saúde sobre o atendimento na aldeia;
  • Tópico "Vida e Cotidiano na Aldeia": realização de debates sobre relações sociais inter-familiares, entre famílias matriarcais (as "Casas"), relações geracionais e de gênero no cotidiano da aldeia;  
  • Tópico "Técnicas de Pesca": realização de 'expedições de pesca' e debate sobre técnicas e recursos pesqueiros com os guias/instrutores mebêngôkre.             











Módulo de Biologia/Ecologia - Base de Pesquisa Pikaiti
Instrutores: Adriano Jerozolimski e Barbara Zimmerman
  • Trilhas Ecológicas na área da base de pesquisa, com realização de seminários sobre temas associados à ecologia e ao desenvolvimento sustentável;
  • Sessões de Vídeo (Ex: "The Kayapó", T. Turner) acompanhadas por debate com guias mebêngôkre sobre o (s) tema (s) abordado no filme ou documentário;
  • Seminário sobre projetos e fontes de sustentabilidade e a sua viabilidade sociocultural e ecológica (Castanhas, Sementes de Cumaru, Artesanato, etc.);
  • Trilha até a Cachoeira e tópico sobre técnicas mebêngôkre de pesca e caça;
  • Trilhas e atividades de observação da vida animal noturna nas imediações da base de pesquisa e na cachoeira;
  • Seminários sobre projetos e atividades desenvolvidas pela Associação Floresta Protegida (AFP);      







No dia 29 de julho, os dois grupos de estudantes, estagiários e instrutores se reencontraram na aldeia A'Ukre para participar da programação final do curso. Após a realização de uma feira de troca e compra de artesanato envolvendo estudantes e a comunidade da A'Ukkre, os homens mebêngôkre realizaram uma dança na praça central  (com a participação de alguns estudantes e instrutores). Depois disso, foi realizado uma roda de avaliação da iniciativa por estudantes e membros da comunidade e uma reunião final entre lideranças indígenas e instrutores do curso.




No dia 30 de julho, o grupo retornou para Tucuma de avião. A tarde foi realizado um seminário com membros da FUNAI Regional, onde as atividades deste órgão público foram apresentadas e discutidas com os estudantes. A noite foi realizado um jantar de finalização do curso, que também contou com a participação de funcionários da FUNAI e colaboradores da AFP.

No dia 31 de julho, pegamos o ônibus de volta para Marabá por volta das 04:00 horas da manha, chegando nesta cidade ao meio-dia, onde eu e Mayara (aluna da UnB) retornamos de avião, respectivamente, para Uberlândia e Brasília. Os demais integrantes do grupo continuaram viagem terrestre até Belém, onde aguardaram entre dois e três dias para retornarem para os locais de origem.

Além de participar como instrutor nas atividades que integram a programação do curso de campo, tive a oportunidade de discutir e planejar com as lideranças mebêngôkre da aldeia A'Ukre o esboço inicial de um programa de pesquisa, ensino e extensão que pretendemos colocar em prática até o final de 2013, a partir de uma parceria institucional entre a UFU e a AFP. A iniciativa, que ainda se encontra em etapa inicial de elaboração, irá integrar projetos na área de inclusão digital, preservação do patrimônio cultural, educação escolar indígena e conhecimentos tradicionais.

Também tive a oportunidade de discutir questões associadas a implantação, em diferentes aldeias kayapós da região, do projeto "Pontos de Cultura Indígena" na TI Kayapó. O projeto prevê a instalação de centros de multimídia nas aldeias, fornecendo a infra-estrutura (computadores, câmeras de vídeo e fotografia, gravadores digitais, acesso à internet via satélite) e uma série diversificada de atividades de capacitação.  A iniciativa ainda depende da liberação dos recursos pelo governo e pela instituição executora. Existe uma expectativa que isso venha a ocorrer no próximo ano.  

Por último, é importante observar que foi discutido com os demais membros da equipe executora do curso a formalização de uma parceria com a Universidade Federal de Uberlândia em torno de uma segunda versão do mesmo curso de campo, possivelmente a partir do estabelecimento de uma parceria institucional com a AFP, a Universidade de Perdue e a Universidade de Maryland. Vamos buscar, no decorrer do próximo ano, viabilizar tal projeto do ponto de vista institucional e administrativo.  



sexta-feira, 22 de junho de 2012

A Rio+20 e a Cúpula dos Povos

Em 1992, quando foi realizado a "Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento", conhecida popularmente como "Eco-92", as noções de 'desenvolvimento sustentável' e 'crise climática', apesar de estarem sob debate desde a década de 1970, eram conhecidas por um seleto grupo de 'especialistas' e 'ativistas' ligados ao movimento ambientalista. Na época, ainda havia uma série de controvérsias científicas em torno da magnitude e das razões do aquecimento global, gerando incerteza e ao mesmo tempo constituindo um espaço de agenciamento governamental dos saberes dos cientistas na luta política e nas batalhas diplomáticas. Apesar das dificuldades, no entanto, foram firmados documentos internacionais importantes, como a Convenção sobre a Diversidade Biológica (CDB) e a Agenda 21, abordando assuntos como a regulamentação do acesso ao patrimônio genético e aos conhecimentos tradicionais, mudança climática, recursos hídricos e segurança alimentar.

Duas décadas depois, o cenário político internacional mudou consideravelmente e a temática do 'desenvolvimento sustentável' se tornou popular entre amplos setores da sociedade civil, dando origem a uma rede de extensão global que envolve um conjunto heterogêneo de organizações civis e governamentais mobilizadas em torno de uma diversidade de projetos e iniciativas. A ideia de 'crise ambiental' foi disseminada amplamente pelos meios de comunicação, através de uma abordagem sensacionalista das catástrofes climáticas. A 'economia verde', por outro lado, foi transformada no novo eldorado do capitalismo internacional com a organização de todo um mercado em torno dessa nova modalidade econômica. Essas 'caixas-pretas' são constantemente abertas, reformuladas, desconstruídas, reformuladas e fechadas novamente, voltando logo depois a reproduzir o mesmo movimento de tradução. Enquanto as controvérsias circulam, elas também se transformam. Independentemente do posicionamento político diante das disputas, havia certa expectativa mais ou menos compartilhada que o evento resultaria na fabricação de novos dispositivos governamentais.  

Mas o resultado das discussões entre diplomatas, burocratas e líderes governamentais, ficou aquém do esperado. O documento é vago, não trata de questões polêmicas e transfere para o futuro o estabelecimento de acordos mais contundentes em torno de compromissos políticos efetivos com o 'desenvolvimento sustentável'. Mais preocupados em calcular com precisão o 'valor econômico' da biodiversidade, os governos buscam mercantilizar e contabilizar o meio ambiente como uma fonte de lucro e não de vida. Com isso, a Rio+20 tornou-se uma espécie de 'mega-show pirotécnico', com muito alarde mas sem efetivar nada de concreto. Preocupados em calcular o preço final da destruição em massa, a definição de 'quem vai pagar a conta' acabou assumindo uma prioridade diante do estabelecimento de metas e compromissos em torno de iniciativas governamentais com efeito prático na vida das pessoas. Nesse processo, a vida é mercantilizada e esquadrinhada na forma de tabelas, gráficos, índices estatísticos e cálculos de contabilidade. Toda uma 'economia do risco' e da 'probabilidade' surge daí, com sua conversão de pessoas em números e de sonhos em possibilidades matemáticas. Masentre a teoria e a prática existe todo um oceano a ser navegado, entre o mapa e a vida existe todo um 'mundo' a ser desdobrado... Como nos diz Bateson, 'o mapa não é o território'...

Salva-se, como sempre, o evento paralelo, organizado por diferentes setores da sociedade civil, que buscam pressionar os governantes a assumir a sua responsabilidade diante da crise ambiental. A 'Cúpula dos Povos' reflete a angústia da sociedade diante do imobilismo dos representantes políticos. Pena que esse movimento de crítica à mercantilização da vida humana e não humana não consiga romper com os muros do Rio Centro. Entre os governos reunidos nas salas climatizadas e o povo que ocupa as ruas da cidade, organizando-se em coletivos mobilizados em torno do valor da vida, existe uma distância quase intransponível entre dois mundos (ou ontologias) completamente diferentes: de um lado, o 'mundo da vida'; do outro, o 'mundo da economia política'. A linguagem conceitual utilizada pelos burocratas - baseada na noção de 'população' como um objeto governamental e na lógica da soberania política e da competição internacional - não corresponde a linguagem dos povos, voltada para a manutenção dos meios fundamentais para a continuidade da vida na terra. Entre esses dois universos conceituais, existe todo um caminho repleto de obstáculos a ser percorrido e a tarefa exige esforços de ambas as partes. 


E as 'vozes subalternas', para usar uma expressão cunhada por Foucault, estão disseminadas por toda parte, ocupando espaços inusitados, convertendo o sentimento de angústia em um grito de luta, que ressoa também nos gabinetes governamentais. O povo nas ruas exige atitude, compromisso e ação concreta dos representantes políticos, que insistem em colocar a contabilidade acima de todos os demais saberes. O que vemos claramente a partir desse 'evento crítico' é a explicitação de uma crise da democracia ocidental, marcada por uma falência dos dispositivos de 'representatividade', a partir do estabelecimento de uma distância entre o que determina a vontade popular e o que estabelece a decisão dos governantes. Enquanto os países desenvolvidos e em desenvolvimento investem bilhões na busca de uma solução para a crise financeira internacional, transferindo grande parte de suas economias para os bancos e fundos financeiros, recusam-se a fazer o mesmo em relação ao meio ambiente e a vida.  


Talvez estejamos próximos de repetir na vida a cena retratada no livro de Saramago, "Ensaio sobre a Lucidez", quando os cidadãos resolvem, inesperadamente, dar um basta no 'circo democrático' votando em branco nas eleições. 

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Marina Silva, Belo Monte e o Movimento Gota D'água

Este vídeo contém o depoimento de Marina Silva sobre o caso Belo Monte, um apoio à campanha que o Movimento Gota D'água tem feito em torno desta questão. Diferente de Dilma, que atropela e passa por cima dos setores da sociedade civil contrários à construção de Belo Monte, Marina demonstra bom senso político e reconhece a relevância da controvérsia e a necessidade de se debater a questão.

Já Dilma, por outro lado, tem utilizado de todos os artifícios para calar os questionamentos de diversos setores da sociedade civil e barrar as suas demandas por maior participação em uma decisão que não é somente técnica, mas também política. Entre outras tantas ações autoritárias e anti-democráticas, podemos citar: 
  • o remanejo de pessoas de seus cargos para aprovar projetos sem passar pelos devidos trâmites institucionais de aprovação de mega-obras como Belo Monte; 
  • o desrespeito aos direitos de consulta prévia dos índios e ribeirinhos que vivem na região; 
  • o apoio incondicional a máfia de superfaturamento capitaneada por Sarney, que lucra há décadas com a construção de hidroelétricas no país; 
  • o total descaso para com as demandas por maior debate e discussão da matriz energética;
  • retaliação política à atuação das ONGs que apoiam os índios e ribeirinhos atingidos pela construção de Belo Monte;
  • a total falta de fiscalização e regulamentação das condições de trabalho nas grandes obras do PAC;
  • a incapacidade de gestão e planejamento de uma infraestrutura adequada para as mudanças que as cidades do entorno dessas obras estão passando devido ao aumento radical da população local, ocasionada pela chegada de milhares de trabalhadores.  

Pois é Dilma, parece que você tem muito o que apreender com Marina. Assista o vídeo, uma verdadeira aula de "cidadania":

quinta-feira, 5 de abril de 2012

A violação dos direitos humanos em Belo Monte e Jirau

Na semana passada, teve início no canteiro de obras de Belo Monte um protesto motivado pela morte do operador de moto serra, Francisco Lopes, no sítio Pimentel. A manifestação teve como objetivo chamar a atenção do governo e da sociedade para uma série de irregularidades existentes na região da hidroelétrica, principalmente, no campo da segurança do trabalho: salários baixos, péssimas condições de infra-estrutura e demissão de lideranças trabalhistas. Apesar do governo Dilma afirmar que a construção de grandes hidroelétricas resulta em empregos para a população, o que se percebe na prática é uma situação de sub-emprego, onde os trabalhadores se submetem a péssimas condições de trabalho por necessidade, chegando a colocar a própria vida em risco.

Ao mesmo tempo, em Rondônia, trabalhadores da hidroelétrica Jirau colocaram fogo em um alojamento para protestar contra as péssimas condições de trabalho no local. Apesar dessas obras serem financiadas, em grande parte, com verbas públicas, a administração está na mão das empreiteiras e o governo não faz qualquer esforço em fiscalizar a situação na região.

Por outro lado, o governo Dilma continua intransigente em relação às demandas políticas colocadas pelos índios e ribeirinhos que vivem na região de Belo Monte, ao mesmo tempo que promove, nas diferentes instâncias do governo federal, um verdeiro 'cerco' às ONGs ambientalistas. Num exemplo claro de autoritarismo e anti-democracia, o atual governo prefere proteger o esquema de super-faturamento financiado por Sarney e seus comparsas ao invés de permitir que a sociedade brasileira discuta o atual modelo de geração de energia elétrica. Através de ações perversas e autoritárias, pessoas são removidas de seus cargos na FUNAI e no IBAMA para facilitar a aprovação e liberação de obras mal planejadas e até mesmo ilegais.

Mas não são apenas os trabalhadores que sofrem com o descaso governamental e a ganância dos investidores. Uma série de reportagens apresentadas no Jornal Nacional apontam que as populações que vivem em cidades localizadas nas imediações da hidroelétrica de Jirau continuam 'abandonadas', expressão utilizada por diversas pessoas que vivem na região. As promessas de melhoria da infra-estrutura não foram colocadas em prática e a situação piorou bastante com o aumento radical da população local. Não existem médicos nos hospitais, policiais nas delegacias e professores nas escolas, sem falar que a rede de serviços é praticamente inexistente. Com isso, pessoas que, no passado, defenderam a instalação da obra na região devido às promessas de melhoria feitas pelas empreiteiras e pelo governo, percebem agora que fizeram a opção equivocada, que foram enganadas e abandonadas.

Apesar disso, no entanto, a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República pretende retirar do relatório da CDDPH o capítulo sobre a violação de direitos humanos em Belo Monte. Ao mesmo tempo, a mesma secretaria demonstra morosidade no que se refere ao combate aos crimes contra lideranças indígenas no Mato Grosso, sem falar no total descaso frente ao assassinato de lideranças ribeirinhas na Amazônia, fato recorrente na região.

No vídeo institucional de promoção da Rio+20 (uma obra de ficção científica), o modelo hidroelétrico de geração de energia é apresentado como o 'mais limpo do mundo'. Percebe-se aqui, mais uma vez, um equivoco grave. Afinal, o impacto ambiental e social de obras como Belo Monte é um fato técnico e político que deve ser contabilizado. Além do mais, trata-se de uma mentira, pois existem, sim, formas de geração de energia mais 'limpas' do que o modelo hidroelétrico, apesar de não fornecerem a mesma oportunidade de super-faturamento em grande escala que as mega-obras fornecem às empreiteiras.    

A ironia de tudo isso é que esse mesmo governo se apresenta ao mundo como o país do 'desenvolvimento sustentável', buscando capitalizar a Rio+20 como um instrumento político de auto-promoção. Um governo que promove a destruição de florestas e rios, que financia o desvio de verbas públicas e o esquema de super-faturamento coordenado por Sarney, não pode se apresenta agora como o grande 'defensor' do desenvolvimento sustentável. Só se o adjetivo 'sustentável' significar aqui a 'sustentação' de um modelo de desenvolvimento predatório colocado em prática no Brasil desde 1930 e que teve nos governos militares o seu apogeu.

Pelo jeito, a presidenta Dilma tem memória curta. Esqueceu que a política 'desenvolvimentista' sempre foi a grande bandeira de luta de seus antigos algozes e inimigos políticos. Afinal, mega-políticas de desenvolvimento, principalmente, quando sustentadas por práticas autoritárias e anti-democráticas, foram gestadas nos porões da ditadura militar. Essa mesma política teve continuidade nos governos mais recentes. O projeto de Belo Monte, por exemplo, foi retomado durante o governo FHC e, na época, foi duramente criticado por Lula e outros membros do PT. Afinal, não podemos esquecer que, nas eleições de 2002, Lula incluiu em seu programa de governo a afirmativa de ruptura com o modelo de geração de energia hidroelétrica existente na época (o mesmo de hoje), criticando duramente a construção e o superfaturamento de grandes obras e denunciando os seus impactos sociais e ambientais. Mas o mundo dá voltas e essas mesmas pessoas defendem hoje o que combateram no passado.    

É realmente lamentável que um governo que se diz de centro-esquerda e social-democrata (a moda atual da política brasileira) não tenha a capacidade de inventar um novo caminho, uma nova estrada, de alimentar novos sonhos e visualizar uma nova sociedade. Ao contrário disso, os correligionários de Dilma continuam promovendo a ignorância política, o mandonismo autoritário e a ausência de debate participativo. Com isso, segue-se aqui no Brasil o mesmo caminho traçado pelas grandes potências, que destruíram os índios e a natureza em nome da construção de uma sociedade 'insustentável' em médio e longo prazo.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

"O Preço do Progresso" - Desenvolvimento e Antropofagia

O título da reportagem é bem sugestivo, O Preço do Progresso. Uma frase que, para nós, brasileiros,  assume um sentido mitológico, como um caminho inevitável prescrito em nossa história. O tema da matéria é bastantes atual, aborda o provável impacto da hidroelétrica São Luiz no rio Tapajós, uma das 22 hidroelétricas que o governo federal pretende construir na região norte até 2019. O tom nostálgico da notícia parte de um pressuposto considerado inevitável, o Brasil precisa se desenvolver e, para isso, é necessário gerar novas fontes de energia. Mas a construção de grandes hidroelétricas ocasiona efeitos ambientais e sociais extremamente destrutivos. Apesar dos jornalistas lamentarem essa destruição, o título da reportagem indica uma mensagem subliminar: "se quisermos continuar nosso caminho em direção ao progresso, esse é o preço que teremos de pagar". A questão é apresentada como um fato consumado, prescrito, agendado, programado, um caminho do qual não podemos escapar.

E olha, que esse preço é bastante caro, de fato, de valor inestimável: a extinção de peixes, pássaros, árvores, insetos e animais que só existem na região; a remoção de comunidades indígenas e ribeirinhas; e a inundação de um patrimônio arqueológico inestimável. Ou seja, em nome do "progresso" - esse emblema totêmico inscrito em nossa bandeira - vamos destruir o nosso patrimônio ambiental, cultural e arqueológico. Ao que parece, estamos diante de um "progresso antropofágico".

Mas o que a reportagem não questiona é a própria ideia do 'progresso'. Desde sempre crescemos ouvindo que o Brasil precisa se desenvolver economicamente e tecnologicamente. Mas será que o problema do Brasil é realmente a necessidade de aumentar o tamanho do bolo? Sim, porque tudo indica que o nosso grande problema não é, por assim dizer, o tamanho do bolo, mas a divisão extremamente desigual do mesmo. Afinal, temos um coeficiente de Gini que está entre os mais altos do mundo: 0,540 (2007). Esse índice mede o grau de concentração de renda em determinada economia, onde o "0" corresponde a uma situação onde a renda se encontra igualmente distribuída e o "1" a uma situação onde toda a renda está concentrada na mão de uma única pessoa. Ao que parece, o grande problema brasileiro é a desigualdade radical. Não adianta continuar o caminho do 'progresso', se os dividendos não são nunca distribuídos e compartilhados. O resultado inevitável dessa fórmula política é o enriquecimento cada vez maior das nossas elites financeiras e dos nossos políticos, que se aproveitam das "mega-obras" do setor hidroelétrico para saquear os tesouros nacionais.    

Ao invés de nos preocuparmos tanto com a crescimento econômico, deveríamos usar a mesma energia para pensar formas de distribuir melhor  a renda entre nossos cidadãos. Isso sem falar, é claro, na concentração de terra, que também é medida pelo mesmo coeficiente, chegando a assustadora marca de 0,90. Nem é preciso lembrar que, até hoje, ainda estamos aguardando o governo federal implementar de fato uma política de reforma agrária séria e eficiente.

A nossa fixação obsessiva  no "progresso" nos impede de pensar e refletir sobre a forma como esse progresso vem ocorrendo nas últimas décadas. Afinal, a ideia de 'desenvolvimento nacional' não é nenhuma novidade, trata-se de uma fórmula governamental que já vem sendo aplicada no Brasil há séculos pelas nossas elites nacionais (talvez seja melhor adjetivá-las de "regionais"). Quem não se lembra do slogan de JK, "50 anos em 5" ou o "milagre econômico" dos militares, na década de 1970? O resultado dessas políticas desenvolvimentistas foi o pior possível: aumentamos o bolo sem dividi-lo.

A questão portanto não é ter que optar entre preservar a natureza e os índios ou continuar o caminho inevitável em direção ao progresso nacional. Mas, sim, refletir qual a melhor forma de desenvolvimento, a maneira mais sustentável e eficaz de nos tornarmos uma sociedade melhor, mais igualitária e justa. Pelo menos, em tese, deveria ser assim.

Mas, de fato, não é. O que temos é um processo histórico de colonialismo interno de caráter antropofágico, baseado em uma percepção do Brasil como fonte de riqueza privada. As análises antropológicas e sociológicas sempre apontaram para essa mistura ou sobreposição entre o público e o privado no Brasil.  Mal compreendemos o valor inestimável da biodiversidade e já estamos elaborando formas de comercializá-la ao melhor preço. Estamos diante de um novo "El dorado". No imaginário da elite financeira e política - não raro traduzido como "imaginário nacional" - a Amazônia é uma fonte de energia e enriquecimento pessoal, sem qualquer outro valor. O que importa é aniquilar tudo o quanto antes, retirar dali o máximo que for possível, mesmo que isso resulte, a médio e longo prazo, em uma total extinção da 'sociobiodiversidade amazônica'. O "progresso" é apresentado como um caminho inevitável e sem volta, mesmo que para isso seja necessário levar adiante o genocídio programado contra os povos indígenas e comunidades ribeirinhas, que sempre levaram a pior nessa história de desenvolvimento.

Conforme mostra a reportagem, diante do inevitável 'preço do progresso', cabe aos cientistas contabilizar as perdas e, aos jornalistas, registrar a tragédia 'ao vivo'. Qual será o nosso papel nesse enredo? Telespectadores passivos de uma narrativa cinematográfica? Vítimas de   um caminho irreversível? Testemunhas do percurso "inevitável" da história? Qual será o papel de nossos filhos? Herdeiros ou vítimas do progresso?

Nos escritórios e gabinetes de Brasília, as decisões governamentais são tomadas com base unicamente em cálculos, números, estatísticas, previsões e análises de conjuntura. Diante dos números, os seres humanos de carne e osso desaparecem. Os burocratas estatais estão imersos em um labirinto de documentos, normas, editais, projetos e programas. O tecnicismo burocrático nunca esteve tão em moda. O cronograma conturbado da política partidária - alimentado pelo sensacionalismo superficial e anti-ético da grande mídia - não dá espaço para a reflexividade. E o "progresso" é uma dessas categorias do pensamento que parecem estar por toda parte, absorvido e transformado por redes diversificadas de coletivos, que traduzem essa ideia a partir de seus interesses políticos e existenciais. A sensação é que estamos percorrendo um caminho prescrito em nossa mitologia 'moderna', uma via de mão única, sem desvios ou alternativas. O estilo apocalíptico da reportagem transmite e expressa muito bem esse sentido de 'inevitabilidade'.

Mas para além das torres do Castelo - imagem usada por Kafka para descrever a máquina estatal, com seus labirintos, surtos rizomáticos e eventos surreais - existe o mundo da vida. Abaixo dos nossos pés entramos em contato direto com a terra que habitamos diariamente, onde encontramos as pessoas que vivem ao nosso lado, as coisas que chamam a nossa atenção, os ritmos locais, os desafios, a vontade existencial de persistir. As pessoas continuam buscando alternativas, criticando, defendendo ideias e questionando o nosso caminho (aparentemente inevitável) em direção ao progresso antropofágico. Mesmo diante do autoritarismo totalitário - camuflado sob o véu de 'democracia representativa' - a voz das minorias (políticas) clama por justiça e por reconhecimento existencial e político.

Infelizmente, no entanto, os gritos da resistência não são ouvidos por aqueles que governam e fazem as leis em nosso nome, os nossos representantes políticos. De fato, já faz algum tempo que há algo errado com a nossa democracia, outra ideia que importamos rapidamente e traduzimos conforme o sabor dos trópicos. Mas algo está se perdendo no caminho. A corrupção é apenas o indício mais significativo de uma crise muito mais ampla, de qualidade, por assim dizer, 'estrutural' (e estruturante). Enquanto não nos dermos a chance e o tempo para refletir de forma crítica sobre as tradições políticas que herdamos nos últimos séculos, nunca seremos capazes de avançar e realmente progredir, no sentido de atingir um 'lugar' no tempo e no espaço que nunca conquistamos antes. Quando não há tempo para a reflexividade, o progresso se dá em círculos; temos a sensação de estar nos movendo sem nunca sair do lugar que ocupamos na história.

Apesar de todo esse sensacionalismo romântico em torno da ideia de 'progresso', o que vemos por toda parte é como esse pensamento se traduz em 'reprodução' de um plano ou projeto arbóreo de caráter predatório e eficácia duvidosa (para não dizer desastrosa). Enquanto nossos antigos colonizadores buscam por alternativas para superar os efeitos nefastos gerados por um modelo insustentável, nós insistimos em refazer o mesmo caminho em direção ao 'progresso' destrutivo da humanidade e do humano. Ao que parece, a mentalidade colonizada é um 'espelho' de vaidades privadas e, com isso, reflete apenas a posição subordinada que lhe é projetada do exterior.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Organismo + Ambiente - Gregory Bateson

‎"A unidade fundamental da sobrevivência é organismo+ambiente e não organismo Vs. ambiente. Quando percebemos isso, as nossas noções de adaptação e propósito mudam radicalmente" - Gregory Bateson, Steps to an Ecology of Mind (1972)






FOTOS: São Gabriel da Cachoeira, Alto Rio Negro (AM) - Brasil 

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Nota da OEA sobre a UHE Belo Monte

A Organização dos Estados Americanos (OEA) - através da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) - sugeriu ao governo brasileiro a suspensão da licença de início das obras do Complexo Hidroelétrico de Belo Monte. A declaração da entidade foi em resposta à denúncia realizada pelo Movimento Xingu Vivo e mais 40 instituições mobilizadas em torno da defesa dos direitos dos povos diretamente impactados pela construção da usina. A Comissão também recomenda que o Governo Brasileiro realize o processo de “consulta prévia, livre e informada” das comunidades locais. Segue o trecho principal do documento:

“A CIDH solicita ao Governo de Vossa Excelência que suspenda imediatamente o processo de licenciamento da UHE Belo Monte e impeça a realização da obra até que sejam observadas as seguintes condições mínimas:

Cumprir a obrigação de realizar processos de consulta, de acordo com a Convenção Americana sobre Direitos Humanos e jurisprudência do sistema interamericano, no sentido de que a consulta seja prévia, livre, informada, de boa fé, culturalmente adequada, com o objetivo de chegar a um acordo, e com a observância dos demais requisitos anteriormente enunciados, em relação com cada uma das comunidades indígenas afetadas, as quais são beneficiárias das presentes medidas cautelares”

O governo respondeu à OEA através de um comunicado do Itamaraty, onde menciona - com "perplexidade" - que a obra foi autorizada pelo Congresso Nacional, que determinou a realização de todos os procedimentos de licenciamento ambiental e dos estudos antropológicos, “com a devida consulta às comunidades indígenas localizadas na área”. O documento também afirma que a FUNAI e o IBAMA ficaram responsáveis pela realização da “consulta”.

A suposta “perplexidade” do governo diante do comunicado da OEA não é justificável, já que as comunidades da região estão mobilizadas em torno da questão há muito tempo e já manifestaram seu posicionamento contrário à obra em diversas ocasiões. A presidência da república, no entanto, tem se negado a debater a questão, agindo de forma autoritária diante das demandas colocadas pelo Movimento Xingu Vivo e outros setores da sociedade civil organizada. Por outro lado, é de conhecimento público e notório que os procedimentos de licenciamento ambiental não foram realizados com o “rigor” anunciado na nota do Itamaraty, pois a Casa Civil, em 2009/10, então sob o comando direto de Dilma, fez de tudo para atropelar o processo, manipulando cargos de confiança em setores estratégicos da FUNAI e do IBAMA com o objetivo de “agilizar” os procedimentos de liberação da obra. Da mesma forma, o processo de consulta às comunidades locais não foi realizado de forma “livre e informada”. 

Além do mais, é importante notar que existe uma demanda pública de que o tema da nossa matriz energética seja debatido publicamente, levando em conta os diversos interesses envolvidos na questão. Essa demanda, no entanto, vem sendo ignorada pelo Governo, que continua reproduzindo a sua visão desenvolvimentista sobre o assunto. As justificativas para a realização da obra anunciadas pelo governo são todas de ordem econômica, sem levar em conta valores políticos, culturais, ambientais e sociais que envolvem ações governamentais de grande impacto na sociedade local. Sob a alegação de que a obra é viável do ponto de vista econômico, todos os demais interesses envolvidos na questão têm sido completamente ignorados.   

A nota foi anunciada na Mídia, que deu ênfase à resposta do governo brasileiro e minimizou as declarações da OEA. Os líderes da oposição (PSDB) e do governo (PT e partidos aliados) defenderam a realização da obra, mostrando consenso sobre a questão. Segundo eles, o que está em jogo em Belo Monte são os chamados “interesses nacionais” e a questão da “soberania nacional”.

É importante notar que tanto a esquerda como a direita é completamente obcecada com o discurso “nacionalista” – no estilo “segurança nacional” - implantada e disseminada nos anos de chumbo do Regime Militar. Um nacionalismo conservador, baseado em uma visão limitada do que é o Brasil e do que é a sociedade brasileira. Afinal, o interesse econômico das empresas que vão lucrar com a construção da obra e das indústrias que vão se beneficiar da energia elétrica não pode ser traduzido enquanto “interesse nacional”, pelo menos não sem um debate público sobre a questão. Afinal, a recente manifestação dos trabalhadores que estão atuando nas grandes obras do PAC sobre as péssimas condições às quais estão submetidos e os baixos salários que recebem revela que o tal "interesse nacional" nada mais é do que a reprodução de uma velha e conhecida prática da elite brasileira: transformar seus interesses privados em "interesses nacionais", mobilizando a opinião pública a seu favor. 

E o interesse das populações locais – índios e ribeirinhos que vivem do rio Xingu – não é “interesse nacional”? Apenas os empresários que vão lucrar com a obra ou com a energia que será gerada são “brasileiros”? Que visão de Brasil é esse que a nossa ilustre presidenta da república defende? Afinal, não é ela que tanto se diz defensora dos direitos humanos? Por que, então, desrespeitar os direitos humanos dessas populações? Afinal, o direito a desfrutar uma vida digna e a um meio ambiente saudável também é um direito humano que, neste caso, está sendo negado em detrimento dos interesses econômicos de certos setores da sociedade. Será que o “interesse” dos ribeirinhos e dos índios que vivem na região não é interesse nacional? Até quando vamos reproduzir essa visão colonial de uma nação que nega a existência e os interesses de seus próprios cidadãos? 


Mais uma vez, sob a alegação de que os nossos índios e ribeirinhos estão sendo manipulados por "forças estrangeiras", o direito desses populações são anulados por aqueles que se dizem seus defensores. O mais lamentável em tudo isso é o extremo autoritarismo do atual governo, que se nega a debater publicamente quais são, de fato, os interesses nacionais que estão em jogo na construção de Belo Monte. A unica coisa "surpreendente" nesse contexto (mas bastante previsível), é o alinhamento do PT e do PSDB na defesa de uma mentalidade desenvolvimentista que já se demonstrou extremamente prejudicial ao Brasil e aos brasileiros. 

terça-feira, 15 de março de 2011

Revisão do conceito de energia "limpa"

O conceito de "energia limpa" é um desdobramento da noção correlata de "energia renovável" e surgiu em meados do século XX, em contraposição as formas de geração de energia "não renováveis". Trata-se, no entanto, de dois conceitos com significados diferentes, como veremos aqui.

A produção de energia elétrica a partir de fontes como petróleo, carvão e gás natural é considerada não renovável, pois a exploração desses recursos não permite a sua renovação em prazo útil. Essas formas de geração de energia são consideradas "sujas", pois liberam grandes quantidades de dióxido de carbono na atmosfera, resultando em grandes danos ao meio ambiente. Esse é o caso da energia nuclear, também considerada de caráter não renovável. Recentemente, os vazamentos de radiação das usinas nucleares japonesas devido ao terremoto levou a um debate sobre a viabilidade e o risco associado a esse tipo de empreendimento. A comunidade européia, por exemplo, cancelou temporariamente a liberação de investimentos para a construção de novas usinas. Com isso, as fontes de energia renovável surgem como a principal alternativa. É nesse momento que se torna necessário diferenciar e refletir sobre o caráter "limpo" de cada uma das fontes renováveis e os risco indiretos causados pela sua exploração.

Existem diferentes tipos de energia renovável que vem de recursos naturais como sol, ventos, chuvas, águas e calor. A geração de energia renovável é considerada mais "limpa" em relação às energias não renováveis. No entanto, o caráter "limpo", os riscos sociais e ambientais associados e os custos de construção e manutenção dos aparatos tecnológicos necessários para tal exploração são bastante diferentes.

A energia hidráulica, por exemplo, geralmente associada à construção das hidroelétricas, também envolve a exploração da energia gerada pelo movimento das ondas do mar. Mas a exploração da energia liberada pelo movimento dos rios exige uma intervenção no meio ambiente e no meio social muito mais radical, pois envolve a construção de barragens e grandes obras que exigem a mobilização de milhares de trabalhadores para os locais onde as hidroelétricas são construídas e grandes modificações no meio ambiente. Existem diversos exemplos históricos dos impactos desse tipo de empreendimento. A hidroelétrica de Balbina, construída pelo ex-presidente Figueiredo, é um bom exemplo do impacto ambiental desse tipo de obra, principalmente, quando os estudos para a sua implantação não são realizados com a devida seriedade. Já a hidroelétrica Passo do Real (RS), construída na década de 1970, é um bom exemplo dos impactos sociais e políticos associados a esse tipo de empreendimento. Afinal, a construção dessa hidroelétrica foi responsável pelo deslocamento de milhares de trabalhadores rurais, que acabaram se tornando os primeiros sem-terra da história do nosso país, dando origem a movimentos sociais como o MST e o MAB. Esses movimentos foram forjados pela ação do próprio Estado Brasileiro, a partir do impacto social e político ocasionado pelo deslocamento populacional. Esses dois exemplos são uma boa demonstração de que nem toda energia renovável é limpa, se considerarmos que essa noção faz referência aos riscos ambientais (mas também sociais) associados a esse tipo de empreendimento.

Por outro lado, existem outras fontes de energia renovável cujo caráter "limpo" é maior, como a energia aólica, solar e maremotriz. Essas fontes de energia são altamente renováveis e os impactos ambientais e sociais são muito menores. Além do mais, os custos envolvidos neste tipo de empreendimento são bem menores, principalmente, quando já existe a tecnologia disponível. Por outro lado, costuma-se argumentar que a energia gerada por essas fontes é menor do que a energia gerada pelas hidroelétricas. Mas, de fato, isso depende da dimensão e dos investimentos em novas tecnologias.

O Brasil conta com um grande território, onde poderíamos construir uma ampla rede de aparelhos aólicos como os vistos na foto acima. A energia solar também oferece um grande potencial, principalmente, em regiões como o nordeste (foto ao lado). A exploração da energia elétrica gerada pelo movimento das marés também oferece um grande potencial em um país com um amplo litoral. Mas, para que essas alternativas se tornem realmente viáveis, o governo precisa rever o conceito de "energia limpa" e sua política energética, baseada quase que inteiramente na construção de grandes hidroelétricas como Belo Monte. Temos que debater se os impactos sociais, ambientais e políticos gerados por essas obras não é maior do que os benefícios. Mas, para isso, é preciso instaurar um ambiente realmente democrático, onde esse debate se torne efetivamente viável. O interesse econômico existente por trás dessas obras não pode ser colocado acima do interesse coletivo da nossa sociedade. Os grupos de interesse que estão por trás desse tipo de iniciativa não podem ser colocados acima dos interesses das populações locais diretamente atingidas. Infelizmente, não é a essa a realidade que enfrentamos no Brasil.            

quarta-feira, 9 de março de 2011

Novidades sobre Belo Monte

No dia 03 de março, na véspera do carnaval, a procuradoria geral da união derrubou a liminar que impedia o início do canteiro de obras de Belo Monte. O presidente do TRF-1ª Região, Desembargador Federal Olindo Menezes, acatou o pedido de suspensão de liminar protocolado pela AGU no início da semana. O parecer jurídico do desembargador reconhece a necessidade do IBAMA fiscalizar a realização das condicionantes pelo consórcio de empresas responsáveis pela construção da hidroelétrica. Segundo o magistrado, o IBAMA estaria "cobrando" a implantação das condicionantes, o que não representa uma afirmativa de que elas seriam colocadas em prática antes do início das obras. Mais uma atitude de desrespeito à democracia e ao povo brasileiro!

É lamentável que uma presidenta que se diz defensora dos direitos humanos coloque os interesses econômicos de grandes empresas do setor hidroelétrico acima dos interesses de índios e ribeirinhos que vivem na região onde a obra será construída. Mesmo diante da necessidade de reajustes no orçamento da união, o governo continua dando prioridade a uma obra que só vai gerar benefício para meia dúzia de empresários paulistas, causando danos ambientais e sociais no médio e longo prazo. Essa ação jurídica também é uma clara demonstração de que o atual governo não está disposto a dialogar com os movimentos sociais, uma clara atitude anti-democrática e autoritária.     

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Site com Banco de Dados sobre projetos hidroelétrcos na Amazônia

Novo site traz informações sobre mais de 140 projetos hidroelétricos em construção ou em funcionamento na Amazônia.

O banco de dados on line do site "Dams in Amazon" traz informações sobre a dimensão dos projetos, as empresas envolvidas e os impactos no meio ambiente e nas populações indígenas e tradicionais.

Trata-se de mais uma contribuição no monitoramento dos impactos ambientais e sociais de obras como Belo Monte. Vale apena conferir no link abaixo!

Link: http://www.dams-info.org/en
 

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Reverter o Aquecimento Global: uma questão de cidadania


Basta ligar a televisão, o rádio ou ingressar na internet para acompanhar as constantes notícias sobre desastres naturais em estados como o Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Amazonas, Pará e São Paulo, assim como em países do continente europeu, os Estados Unidos e a China. E não se trata apenas de papo de jornalista, pois as populações ribeirinhas que vivem no Amazonas, por exemplo, vivenciaram os efeitos nefastos da cheia e da seca mais intensa dos últimos cem anos. Populações indígenas do Alto Rio Negro também reclamam que os rios da região estão secando e os peixes morrendo. Lugares que nunca vivenciaram grandes desastres climáticos estão começando a fazer parte da longa lista de populações atingidas pelos efeitos do aquecimento global.


Sei que muitos de vocês podem estar pensando neste momento: sim, mais uma ação da mídia alarmista, nenhuma novidade. Pois bem, em maio de 2009 o “Fórum Humanitário Global”, presidido pelo ex-secretário geral da ONU, Kofi Annan, divulgou um amplo estudo sobre os efeitos do aquecimento global: atualmente, 300 mil pessoas morrem anualmente em decorrência da mudança de clima, vítimas de uma longa lista de catástrofes. Além do mais, o relatório também aponta que, mantido os padrões atuais, o número pode subir para meio milhão de pessoas, já em 2030, e as perdas econômicas podem atingir a casa dos U$ 125 bilhões anuais. Mais de quatro bilhões de pessoas estão “vulneráveis”, a maioria delas habitantes dos países menos desenvolvidos. É claro que, assim que o estudo foi divulgado, surgiram inúmeras controvérsias em torno da metodologia utilizada, mas até mesmo os críticos mais vorazes reconheceram que estamos diante do grande desafio humanitário do século XXI. Por último, é importante mencionar que os dados revelados por esse relatório já tinham sido apontados dois anos antes pela “Oxfam Internacional”, instituição formada, em 1995, por 12 organizações não-governamentais. Segundo relatório divulgado ainda em 2007, estudos científicos demonstram que os desastres climáticos aumentaram mais de 400% nos últimos 20 anos: se em 1980 a média de desastres registrada era de 120 por ano, hoje esse número chega perto de 600.


O caso de Angra dos Reis é paradigmático. Desmoronamentos ocorrem na região há muitos anos e podem ser explicados pela geologia dos solos. No entanto, conforme já relataram os especialistas, a ação humana (poluição, estilo de vida e etc.) e não-humana (até mesmo os bovinos possuem a sua parcela de culpa pelo aquecimento global) foi determinante na ampliação dos efeitos do fenômeno geológico: seja indiretamente (a intensidade das chuvas é um efeito do aquecimento global), seja diretamente (as construções irregulares ampliam ainda mais o risco de desmoronamento). Pessoas que vivem na região há mais de 60 anos foram unânimes em afirmar que jamais tinham vivenciando um desastre de tamanha proporção.


Muitas famílias perderam seus entes queridos neste final de ano e sentiram o sofrimento causado por um estilo de vida insustentável. O que mais me surpreende diante de tudo isso é que ainda existem intelectuais que acreditam em teorias de conspiração (para essas pessoas, a tese do aquecimento global seria uma estratégia de impedir o desenvolvimento de países como o Brasil, a China, a Índia e a África do Sul), outros não conseguem relacionar as suas micro-práticas diárias e o seu estilo de vida insustentável com o que está ocorrendo em sua volta. Neste contexto, até mesmo os cientistas mais conscientes dão início ao seu trabalho de conscientização explicitando que não gostariam de ser confundidos com “ambientalistas” ou militantes da causa ambiental. Até por que, no Brasil, o pensamento colonizado acha que a reflexão crítica não se dá bem com a ação política, como se as duas coisas fossem antagônicas. Ou o sujeito é um “cientista” ou um político, tese absurda que deve muito a uma visão da ciência já amplamente ultrapassada.


Enquanto discutimos nossas teorias sociais em ambientes climatizados, são os pobres e as populações tradicionais (incluindo os povos indígenas) que sofrem mais diretamente as conseqüências do aquecimento global: segundo o Relatório de Desenvolvimento Humano de 2007-08 do PNUD, a mudança climática afeta 78 vezes mais os países pobres. Afinal, nossas casas são regulares e temos recursos para recomeçar tudo de novo diante de um grande desastre, já a população mais carente pode levar décadas para reconquistar o pouco que conseguiu durante anos de trabalho duro; da mesma forma, as florestas e rios onde vivem as populações indígenas e tradicionais podem levar séculos para se recuperarem. Por outro lado, a perda de um parente não poderá nunca ser superada e, neste sentido, podemos afirmar que o aquecimento global é extremamente democrático, apesar de não ser vivenciado da mesma forma pelos diferentes setores da população.


Até mesmo em redes virtuais onde a Cidadania parece ser o tema de interesse dos participantes, vemos um completo silêncio diante de momentos como os que estamos vivendo atualmente. O fato é que enfrentamos um momento histórico em que já não podemos mais defender a tese de que Cidadania e Aquecimento Global são duas coisas completamente diferentes.


Acredito que este é o momento mais adequado para fazer uma revisão permanente dos nossos hábitos e do nosso estilo de vida, assumindo a responsabilidade pelos desastres que estão ocorrendo no mundo e admitindo que, sim, todos nós somos culpados. Não são apenas as multinacionais que são culpadas pelos desastres climáticos, mas você, que acredita na vida e busca fazer o melhor no seu dia a dia.


Mas eu lhe pergunto: será que estamos fazendo o suficiente? Será que estamos realmente nos mobilizando para reverter este processo em andamento? Será que ainda temos tempo? Sei que a causa não é nenhuma novidade para muitos de vocês, afinal, os ambientalistas já apontavam para este contexto histórico desde a década de 1980, mas será que ainda estamos diante de uma causa exclusiva dos ambientalistas? Ou estaríamos enfrentando um problema diretamente relacionado à cidadania de todos nós?


Escrevo estas linhas porque acredito que a mudança não depende dos nossos governantes, mas de todos nós, pessoas comuns. Essas dicas podem soar didáticas demais, mas, acredite, sei o quanto é difícil colocar em prática mudanças como essas no nosso dia a dia e é exatamente por isso que devemos ter a consciência que estamos diante do maior desafio global do século e que só vamos superar esses problemas juntos, em coletivo. Por isso, podemos buscar uma mudança gradual, tentando, por exemplo, colocar em práticas algumas dessas dicas e buscando alternativas que promovam uma relação de dádiva com o meio ambiente. Sei que não é fácil, MAS NÃO CUSTA TENTAR!

Para contribuir com este processo, segue abaixo uma pequena lista de coisas que podemos fazer no nosso dia a dia e que podem fazer a diferença nos próximos anos:


1) TROCA DE LÂMPADAS: se você trocar as lâmpadas convencionais por fluorescentes compactas estará deixando de gerar centenas de quilos de dióxido de carbono por dia;
2) RECICLAGEM: talvez essa seja uma das ações mais importantes: recicle seu lixo e exija dos seus governantes uma coleta especializada e o incentivo a criação de cooperativas e associações de reciclagem na sua cidade... Promova essa idéia entre os seus vizinhos com aquele pequeno panfletinho que você mesmo pode fazer;
3) CONSUMO DE ÁGUA: economize ao máximo o consumo de água na sua residência e promova essa idéia entre seus vizinhos... Tome menos banho quente durante o verão e fique menos embaixo do chuveiro;
4) NÃO USE SACOLAS PLÁSTICAS: adquira aquela velha sacola de pano e use para fazer suas compras;
5) AR-CONDICIONADO: use só quando necessário e sempre na temperatura adequada: não exagere!
6) PLANTE ÁRVORES: se cada pessoa plantar uma única árvore durante o ano, já estaremos ajudando bastante... Cobre de seus governantes uma postura ambientalmente correta e uma fiscalização mais rigorosa;
7) ELETRODOMÉSTICOS: para que deixar o computador ligado se você está assistindo TV? E aquela lâmpada acessa no corredor? Use eletrodomésticos com consumo A++, eles são mais econômicos e ajudam a preservar o meio ambiente;
8) UTILIZE MATERIAL RECICLADO: existem fabricantes de papel reciclado ou que trabalham de uma maneira sustentável;
9) COMER MENOS CARNE (o que não significa “não comer”): diminua o consumo de carne na sua casa, afinal, a flatulência dos bovinos também é responsável pelo aquecimento global; Você que gosta de um bom churrasco aos finais de semana, comprometa-se em colocar em prática políticas compensatórias, como consumir menos carne durante o restante da sua semana.
10) DEIXAR O CARRO NA GARAGEM: caminhe mais e compartilhe o carro sempre que possível, além de ficar mais saudável e ser mais solidário, você estará colaborando para o bem estar de todos nós;
11) Pressione seus governantes para a melhoria do transporte público e para a instalação de ciclovias;
12) Pressão dos pneus: manter a pressão dos pneus no valor correto ajuda a melhorar o rendimento do combustível do seu automóvel;
13) Adquira veículos menores fabricados segundo as normas e especificações ambientais;
14) SAIA DO ARMÁRIO: assuma esta bandeira e faça você mesmo a diferença.

sábado, 19 de dezembro de 2009

Existem momentos e causas que exigem uma postura militante...


O encontro em Copenhagen acabou e muito pouco se avançou. É realmente lamentável que tanto seja feito para salvar a conta bancaria de empresários, ricos e famosos e tão pouco seja feito para preservar a existência da humanidade na terra. E o pior de tudo, conforme já observou Michel Serres, é que as pessoas que estão decidindo o nosso futuro passam seus dias em escritórios climatizados, enquanto boa parte da população dos países subdesenvolvidos sofre as piores conseqüências de um estilo de vida insustentável. Para quem vive no conforto do ar-condicionado e do aquecedor, a mudança climática é apenas um conceito. Assim, ainda é fácil dizer que podemos aguardar mais um ano, dois, três... Talvez até o momento em que os efeitos do nosso estilo de vida sejam traduzidos em grandes crises financeiras mundiais.

É impressionante como os governantes e técnicos conseguem chegar a um acordo com velocidade impressionante quando se trata de salvar suas economias e mercados, principalmente, quando são essas mesmas pessoas que impõem os maiores obstáculos ao avanço concreto das negociações.

O fato é que reverter um processo como esse exige que a mudança seja pensada não como um efeito de decisões tomadas pelos governantes, mas também por pequenas ações e práticas diárias. Todos nós somos responsáveis pela mudança climática e não apenas os bancários e governantes. Por uma ação continua para reverter a mudança climática e seus efeitos na vida de bilhões de pessoas!
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