Entre os dias 26 e 27 de fevereiro de 2013, o Núcleo de Pesquisa em Ciências Sociais (NUPECS) da Universidade Federal de Uberlândia estará promovendo a primeira edição da série "Seminários Externos do NUPECS - 2013", que contará com a presença do Profº Drº Pierre Henri Trinquet, do Departamento de Ergologia da Universidade de Provence, França. A atividade está sendo realizada em parceria com o Grupo de Pesquisa "Trabalho, Educação e Sociedade", coordenado pelas professoras Cristiane Fernandes da Silva e Fabiane Santana Previtali, ambas colegas do Instituto de Ciências Sociais da UFU.
O evento irá ocorrer no âmbito do projeto de extensão intitulado "Visão Ergológica sobre Trabalho e Educação", que tem como objetivos específicos: 1) apresentar o histórico (origem, formação e fundadores) da abordagem ergológica na França e a sua repercussão entre os pesquisadores brasileiros; 2) expor as principais noções teórico-metodológicas que alicerçam a Ergologia e que servem de aporte analítico ao tema trabalho em distintas áreas do conhecimento; 3) cotejar as noções ergológicas à realidade concreta do trabalho, conferindo acento ao papel fundamental desempenhado pelo trabalhador por dispor de um conhecimento in situ; 4) trazer a experiência da pesquisa ergológicas diante do contexto estatal e empresarial francês para se pensar o caso brasileiro.
Ergologia é a perspectiva científica e filosófica que tem como objetivo estudar o trabalho humano em todas as suas dimensões. Para isso, propõe uma abordagem transdisciplinar deste objeto, um olhar que dê conta de explicar a complexidade das situações de trabalho, seja ele mercantil ou não. Não se trata de uma nova ciência ou disciplina, mas de uma orientação epistêmica que leva em conta o fenômeno do trabalho enquanto atividade humana. A ergologia surgiu na França, na Universidade de Provence, em 1983, tendo como um dos seus fundadores e principal teórico o professor Yves Schwartz (Wikipedia).
Segue abaixo o cartaz do evento:
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sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013
quarta-feira, 12 de dezembro de 2012
XII Semana de Ciências Sociais - UFU
Entre os dias 11 e 14 de dezembro de 2012, ocorre a "XII Semana de Ciências Sociais" da Universidade Federal de Uberlândia. O evento teve início ontem, com a apresentação de cantos Maxakali.
A conferência de abertura - com a apresentação de dois episódios da série inédita "Foucault Loucura Desrazão" (direção de Eryc Rocha e Roteiro de A. Queiroz) e a palestra "Ouvir o real: relatos da biopolítica" - foi transferida para o dia 18/12/2012 (próxima terça-feira), no auditório 5O-C, as 18:30hrs, no campus Santa Mônica. Para substituir a atividade, assistimos o documentário "Foucault por ele mesmo", seguido de um debate com o público com a presença minha e do Profº Drº Antônio Carlos Petean.
Segue abaixo um resumo da programação da semana:
Quarta-feira - 12/12/2012
8:00hrs - Conferência: Eleições e Participação Política no Brasil - Profº Drº Jairo Nicolau (UFRJ)
Local: Auditório 5O-C
14:00 - Comunicações de Trabalhos
Antropologia: Auditório 5O-C
Sociologia: Auditório 5O-E
Ciência Política: Auditório 5O-F
19:00hrs - Conferência: Gênero e Mídia: a marcha das vadias e outras experiências.
Profº Drº Márcio Ferreira (INCIS/UFU)
Representante do PIBID
Representante da Marcha das Vadias
Local: Auditório 5O-C
Quinta-feira - 13/12/2012
8:00hrs - Conferência: Novas formas de organização social e a crise do sindicalismo.
Profº Drº José dos Santos Souza (UFRRJ)
Local: Auditório 5O-C
14:00hrs - Seminário: Democratização da Mídia
Representante do CACOS/ENECOS
Representante do CACIS
Local: Auditório 5O-C
19:00 - Cine Debate: Pesquisadores do Islã - a história de um site.
Profª Drª Francirosy Campos Barbosa Freitas (USP)
Local: Auditório 5O-C
Sexta-feira - 14/12/2012
8:00hrs - Conferência: O Islã no Brasil: uma perspectiva comparativa.
Profª Drª Francirosy Campos Barbosa Freitas (USP)
Local: Auditório 5O-C
14:00hrs - Mini-Cursos:
Perspectivas Pós-Estruturalistas nas Ciências Sociais: Foucault, Deleuze e Guattari.
Profº Drº Diego Soares da Silveira (INCIS/UFU)
Local: Auditório 5O-C
Educação e Saber em Nietzsche e Edgar Morin.
Profº Drº Antônio Carlos Petean (INCIS/UFU)
Local: Auditório 5O-F
Gênero: categoria analítica e dimensão estruturante de sociabilidades.
Profª Drª Maria Lúcia Vannuchi
Local: Auditório 5O-E
16:00hrs - Mini-Cursos
Cultura do Controle e Estado Penal na Sociologia Contemporânea
Profª Drª Débora Regina Pastana
Local: Auditório 5O-C
Cidade e relações etnicorraciais: OBEC mapeando redes sociais de superação do racismo
Profª Drª Claudelir Corrêa Clemente
Local: Auditório 5O-F
19:00hrs - Seminário: Luta pela Terra: questão Guarani Kaiowa e a Ocupação do Glória
Representante dos Guarani Kaiowa
Representante da Ocupação do Glória
Local: Auditório 5O-C
Organização: Coordenação do Curso de Ciências Sociais; Coordenação de Extensão; Instituto de Ciências Sociais; PPGCS; PET Ciências Sociais; NUPECS; CA - Ciências Sociais; Revista Eletrônica de Ciências Sociais.
quinta-feira, 29 de novembro de 2012
Modos de Subjetivação em Foucault
[Selecionei este breve trecho por ele abrir um caminho em direção à problematização do "sujeito moral" nas ciências. Isso implica uma reflexão sobre a maneira como o fazer científico envolve um trabalho cotidiano sobre si mesmo e com os outros (humanos e não humanos). Ao lado desse exercício reflexivo - diretamente associado à noção de "modos de subjetivação" em Foucault - será necessário abordar outro tema importante: os modos 'disciplinares' de objetivação das relações de conhecimento. Este aspecto é abordado em outros trabalhos de Foucault, principalmente, no livro "Vigiar e Punir". Inclusive, foi a releitura desta obra durante o processo de escrita da tese que me fez problematizar o espaço e o tempo laboratorial como componentes de uma máquina disciplinar, que age sobre os corpos e subjetividades dos cientistas. Esses dois aspectos - os modos de subjetivação e objetivação - tiveram um efeito importante nos estudos da ciência denominados de "epistemologia histórica" (Daston e Galison) e "ontologia histórica" (Ian Hacking).]
[Nesta semana, realizamos a terceira reunião do Grupo de Estudo "Saber e Poder em Foucault", desta vez para refletir e debater o segundo volume da História da Sexualidade. Devido à série de seminários do Nupecs com a temática foucaultiana, retomaremos às atividades do grupo somente em janeiro de 2013].
quarta-feira, 28 de novembro de 2012
Seminários Externos do NUPECS - Dez/2012
Em dezembro de 2012, o Núcleo de Pesquisa em Ciências Sociais da Universidade Federal de Uberlândia (NUPECS/UFU) está dando início à série de palestras "Seminários Externos do NUPECS", que contará com novas edições no ano de 2013.
Segue abaixo a programação dos dois seminários.
PROGRAMAÇÃO - DEZEMBRO/2012
03/12/2012 - 18-20hrs
"Andando com Foucault: da biopolítica à ecopolítica" - Profº Drº Edson Passeti (PUC/SP)
11/12/2012 - No âmbito da Semana de Ciências Sociais
18-19hrs - Pré-Lançamento Nacional do Vídeo Documentário "Foucault Loucura Desrazão", dirigido por Eryc Rocha (SESC)
19-21hrs - "Ouvir o real: relatos da biopolítica" - Profº Drº André Queiroz (UFF).
LOCAL: Auditório 5O, Bl. C - Campus Sta. Mônica - UFU
Observação: será fornecido Certificado de Participação.
Segue abaixo a programação dos dois seminários.
PROGRAMAÇÃO - DEZEMBRO/2012
03/12/2012 - 18-20hrs
"Andando com Foucault: da biopolítica à ecopolítica" - Profº Drº Edson Passeti (PUC/SP)
11/12/2012 - No âmbito da Semana de Ciências Sociais
18-19hrs - Pré-Lançamento Nacional do Vídeo Documentário "Foucault Loucura Desrazão", dirigido por Eryc Rocha (SESC)
19-21hrs - "Ouvir o real: relatos da biopolítica" - Profº Drº André Queiroz (UFF).
LOCAL: Auditório 5O, Bl. C - Campus Sta. Mônica - UFU
Observação: será fornecido Certificado de Participação.
quarta-feira, 14 de novembro de 2012
1º Seminário Internacional de Pós-Graduação em Ciências Sociais
Na próxima semana, entre os dias 19 e 21 de novembro, será realizado, em Uberlândia, o "1º Seminário Internacional de Pós-Graduação em Ciências Sociais", uma atividade organizada pelo Programa de Pós-Graduação em Antropologia e Sociologia da Universidade Federal de Uberlândia. Na ocasião, esterei participando do evento como debatedor dos trabalhos apresentados no GT 3 - Educação, Políticas Públicas e Teoria Sociais. Segue abaixo a programação resumida e o link para o blog do evento.
19/11/2012
08-08:30
Credenciamento
09-12hrs - Mesa de Abertura: "Trabalho, Estado e Classes Sociais no Capitalismo Contemporâneo"
Profº Drº Nicolas Carrera (Universidade de Buenos Aires)
Profª Drª Virgina Fontes (UFF, FioCruz)
Mediadora: Profª Drª Patrícia Tropia (UFU)
13:30-14:30 - Apresentação de Pôsteres
14:30-18:30 - Grupos de Trabalho
20/11/2012
09-12hrs - Mesa Redonda: "O Trabalho de Campo e Etnografia"
Profº Drº Edmundo Antonio Peggion (PPGAS-UFSCAR)
Profº Drº Dagoberto José Fonseca (UNESP)
Mediador: Marcel Mano (UFU)
Idem
19:30-22hrs - Mesa Redonda: "Macumba: diversidades das religiosidades de matriz africana"
João Marcos Allen (UFU)
Marili Junqueira (UFU)
Jaqueline Talga
Vanesca Tomé Paulino
Representantes das religiosidades afro-brasileira do Triângulo Mineiro e Paranaíba
21/11/2012
09-12hrs - Mesa Redonda: "Sociabilidades, Identidades e Subjetividades"
Profº Drº João Carlos Zuin (UNESP)
Profª Drª Jacy Alves de Freitas (INHIS - UFU)
Mediadora: Profª Drª Eliane Ferreira (UFU)
Idem
19:30 - Festa de Encerramento do evento
A programação completa e outras informações podem ser conferidas no link abaixo.
http://sinppgcsufu.blogspot.com.br/p/programacao.html
19/11/2012
08-08:30
Credenciamento
09-12hrs - Mesa de Abertura: "Trabalho, Estado e Classes Sociais no Capitalismo Contemporâneo"
Profº Drº Nicolas Carrera (Universidade de Buenos Aires)
Profª Drª Virgina Fontes (UFF, FioCruz)
Mediadora: Profª Drª Patrícia Tropia (UFU)
13:30-14:30 - Apresentação de Pôsteres
14:30-18:30 - Grupos de Trabalho
20/11/2012
09-12hrs - Mesa Redonda: "O Trabalho de Campo e Etnografia"
Profº Drº Edmundo Antonio Peggion (PPGAS-UFSCAR)
Profº Drº Dagoberto José Fonseca (UNESP)
Mediador: Marcel Mano (UFU)
Idem
19:30-22hrs - Mesa Redonda: "Macumba: diversidades das religiosidades de matriz africana"
João Marcos Allen (UFU)
Marili Junqueira (UFU)
Jaqueline Talga
Vanesca Tomé Paulino
Representantes das religiosidades afro-brasileira do Triângulo Mineiro e Paranaíba
21/11/2012
09-12hrs - Mesa Redonda: "Sociabilidades, Identidades e Subjetividades"
Profº Drº João Carlos Zuin (UNESP)
Profª Drª Jacy Alves de Freitas (INHIS - UFU)
Mediadora: Profª Drª Eliane Ferreira (UFU)
Idem
19:30 - Festa de Encerramento do evento
A programação completa e outras informações podem ser conferidas no link abaixo.
http://sinppgcsufu.blogspot.com.br/p/programacao.html
terça-feira, 13 de novembro de 2012
Participação em Painel no 10º Congresso da Abrasco - Porto Alegre
Nesta semana, esterei de passagem pela saudosa capital dos casais, Porto Alegre, onde irei participar do painel "Concepções sobre saúde e adoecimento, sistema biomédico e políticas na área de saúde", organizado por Sílvia Guimarães (UnB), no âmbito do 10º Congresso da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco).
A atividade será realizada no dia 16 de novembro (sexta-feira), na sala 503 da Faculdade de Educação (FACED/UFRGS), e conta também com a presença das professoras Cristina Dias da Silva (UFJF), Rita de Cássia Neves (UFRN) e Paula Viana (Grupo Curumim).
Na ocasião, pretendo tecer reflexões sobre a interface entre políticas públicas na área de saúde e pesquisas na área da biomedicina que envolvem o chamado 'acesso' aos conhecimentos tradicionais associados à biodiversidade. Farei isso a partir de uma etnografia da ciência realizada junto a uma pesquisa de farmacologia que visa a produção de fitoterápicos a partir de plantas medicinais e conhecimentos coletados em uma comunidade ribeirinha do Alto Amazonas. Essa iniciativa foi autorizada pelo governo brasileiro e se insere dentro da proposta de estabelecimento de um 'diálogo' entre a ciência e os saberes medicinais ribeirinhos.
A programação do evento é enorme e conta com a presença de especialistas de diversas áreas científicas, de órgãos governamentais e centros de pesquisa associados à temática da saúde pública. Para quem tiver interesse, a programação está disponível no link abaixo.
http://www.saudecoletiva2012.com.br/home.asp
A atividade será realizada no dia 16 de novembro (sexta-feira), na sala 503 da Faculdade de Educação (FACED/UFRGS), e conta também com a presença das professoras Cristina Dias da Silva (UFJF), Rita de Cássia Neves (UFRN) e Paula Viana (Grupo Curumim).
Na ocasião, pretendo tecer reflexões sobre a interface entre políticas públicas na área de saúde e pesquisas na área da biomedicina que envolvem o chamado 'acesso' aos conhecimentos tradicionais associados à biodiversidade. Farei isso a partir de uma etnografia da ciência realizada junto a uma pesquisa de farmacologia que visa a produção de fitoterápicos a partir de plantas medicinais e conhecimentos coletados em uma comunidade ribeirinha do Alto Amazonas. Essa iniciativa foi autorizada pelo governo brasileiro e se insere dentro da proposta de estabelecimento de um 'diálogo' entre a ciência e os saberes medicinais ribeirinhos.
A programação do evento é enorme e conta com a presença de especialistas de diversas áreas científicas, de órgãos governamentais e centros de pesquisa associados à temática da saúde pública. Para quem tiver interesse, a programação está disponível no link abaixo.
http://www.saudecoletiva2012.com.br/home.asp
domingo, 28 de outubro de 2012
O mensalão e a crise da democracia partidária
A vontade de domínio político totalitário resulta de uma mentalidade que vê na democracia apenas um 'instrumento' para a construção de uma 'sociedade-partido', no melhor estilo '1984', de G. Orwell. O "Grande Irmão' tem um plano para dominar o mundo, independentemente dos meios usados para a conquista de tal feito. Tudo vale, vale tudo: comprar o mandato popular de parlamentares; apoiar genocidas do agronegócio; abraçar os apoiadores da ditadura; destruir o meio de vida de índios e ribeirinhos; corromper funcionários públicos; desrespeitar a Constituição Brasileira. A lista de 'meios' usados para tal finalidade deixaria até Maquiavel constrangido. E a opera assume tons fantásticos, com cenas surrealistas, com verdinhas circulando em cuecas e malas pretas, com ministros atuando nos bastidores do poder, convertendo a máquina pública num exército de uma quadrilha oculta, que age nos bastidores do poder partidário, manipulando tendência e instituindo um modo perverso de governar. Para essa ala dominante do PT paulista, a democracia é sinônimo de luta pela hegemonia totalitária: maquiavelismo na veia com alguns toques gramscianos.
Mas o mensalão de José Dirceu e Cia coloca a própria democracia em crise. Lembro que, em 1989, havia uma expectativa popular em torno de uma 'limpeza ética do poder'. Após décadas de regime militar, a sociedade brasileira viu-se diante da tarefa de construir novamente um estado de direito e democrático. Vivíamos o período pós constituinte. O tema da ética e da reforma do estado tomou a pauta dos candidatos, em um debate político acirrado e repleto de afirmações demagogas. Acabou ganhando, com o apoio da Organização Tabajara (Rede Globo), o zé bonitinho do momento. Collor era o 'caçador de marajás', o homem que prometia 'limpar' a corrupção e o mal uso da máquina pública da história do país. Um messias prometendo redenção. Como sabemos hoje, tudo não passou de uma grande encenação pirotécnica, uma retórica superficial que acabou levando o alagoano ao poder. O discurso sobre a ética - na política real do dia a dia - é agenciado nas lutas diárias pelo poder. Tempos depois tivemos que acertar as contas com o destino. O movimento 'cara pintada' - ao buscar recuperar o tema da ética na política - expressou a decepção do povo brasileiro em uma ainda recente e jovem democracia.
Depois veio o período "FHC", eleito sob a bandeira de um 'Real Forte' e uma economia que apresentava tendências claras de recuperação. Com o controle da inflação, teve também início uma lenta e ampla reforma neoliberal do estado, através de uma transformação profunda dos mecanismos de exercício do governo. A tecnicização da política deu origem a uma governamentalidade neoliberal que ainda se mantem ativa e atuante até hoje. Os programas de privatização tucanos são uma grande 'caixa preta' de corrupção e descaso com o poder público. Para se manter no governo e governar, FHC estabeleceu relações fisiológicas com setores à direita do prisma político, como o antigo PFL (hoje DEM). Instituiu-se ali uma nova tecnologia de governo: um tecnicismo academicista (com forte viés economicista) apoiado em uma base política 'vampiresca'. Enquanto FHC reformava e tecnicizava de um lado, seus aliados se deliciavam com o mercado das privatizações do outro. Foi o período triste do Estado Mínimo, do descaso com a saúde e com a educação, de perseguição aos movimentos sociais. Não há dúvida de que o governo do PSDB enredou-se em sua própria malha de apoio, rendendo-se ao velho estilo fisiológico de fazer política performado pelos setores mais conservadores da política brasileira. Sem falar que foram oito longos anos sem aumento para diversos setores do funcionalismo público, oito anos de sucateamento do ensino público superior.
Foi a partir desta conjuntura de decepção e amargura que o PT construiu o seu caminho em direção à presidência da república. Baluarte da ética no poder público, os petistas perseguiam os corruptores e corruptos diariamente, colocando-se como uma 'estrela' em um céu escuro e sinistro de corrupção e descaso com o bem público. As irregularidades associadas ao processo de privatização ocorrido no Governo FHC foram alvo da metralhadora giratória de figurinhas como José Genuíno e Dirceu. O PT da oposição era um forte porta-voz da mudança e da ética na política.
Mas ainda faltava algo. A simples retórica da ética não era suficiente para convencer os patrões da mídia, os empresários, as indústrias, os bancários, enfim, todos os agentes formadores de opinião pública. Foi então que entrou em cena o 'maquiável brasileiro', costurando literalmente as parcerias que levaram Lula ao poder no início do século XXI. José Dirceu costurou uma complexa rede de apoio político, sendo que parte dessa rede manteve-se sempre nos bastidores, financiando a campanha milionária que levou Lula à presidência da República. Somente hoje, com a conclusão do julgamento do 'mensalão', podemos avaliar a profundidade e a densidade das associações políticas e econômicas que conduziram o primeiro presidente operário ao poder da república.
Mas a regra da política-partidária é básica: todo apoio será cobrado em dobro mais a frente. Foi assim que o núcleo político do PT paulista levou o primeiro governo Lula à enredar-se na sua própria rede, reproduzindo o mesmo erro de FHC. Sob a bandeira de um 'pragmatismo' vazio, nos bastidores da república, uma verdadeira máfia de corruptores e corruptos se formou na penumbra da noite, sob o manto pardo do poder republicano. Usando do dinheiro do contribuinte, os antigos porta-vozes da ética na política deram início a um audacioso plano para conquistar o Brasil e o mundo, tendo no comando José 'Cérebro' Dirceu e José 'Pink' Genuíno. Nesse caminho incerto, formou-se o núcleo de gestão fraudulenta.
Como um vírus que cresce e avança quando não encontra obstáculos ou quando consegue vencê-los sem maior resistência, esse núcleo fraudulento e corrupto foi aos poucos construindo sua hegemonia no governo e no partido, com o expurgo dos honestos e o estabelecimento de novas parcerias utilitárias. De uma hora para outra, as antigas vítimas da metralhadora giratória petista passaram a pousar ao lado das lideranças do PT: reis da soja e do agronegócio, grileiros; empresários; José Sarney; Paulo Maluf; o inesquecível Roberto Jefferson, ACM e todos aqueles 'partidos-vampiros', que vivem sugando a máquina pública em benefício próprio. Nesse processo de busca de 'poder pelo poder', rasgou-se a Constituição Democrática e Cidadã e afundou-se a história do principal partido da recente democracia brasileira. Quando o voto de parlamentares e eleitores é transformado em uma 'mercadoria' de barganha ilícita, os valores democráticos entram em profunda crise institucional.
Surge deste contexto sinistro um herói pouco provável: um STF composto por juristas escolhidos à dedo por Lula, a direção nacional (paulista) do PT e seus ministros mais próximos. O 'feitiço' virou contra o 'feiticeiro'. O Castelo de Areia (Kafka) desmoronou-se por completo. O julgamento do mensalão revelou aos brasileiros e ao mundo esta face obscura e sinistra do 'novo PT' de José Dirceu e Cia. Nesse processo histórico, o partido foi transformado em uma empresa, introjectando a lógica nefasta do neoliberalismo, que transforma sonhos e pessoas em números, estatísticas e cálculos de 'custo e benefício'. Aprimoraram-se as tecnologias governamentais em busca de um controle totalitário e absoluto da população e do território: surge daí toda uma nova governamentalidade. A 'vida' humana e não humana é transformada pela lógica da economia política.
Quando o STF finalmente reconheceu, mapeou e identificou a malha de corrupção que perpassava os bastidores da república, a democracia já estava abalada em seus alicerces fundamentais. A mentalidade da hegemonia política inaugurada por Dirceu já havia conquistado adeptos por toda parte. A ética do vale tudo predominava por todos os corredores do Castelo. Assistimos à banalização da ideologia partidária em nome de uma política de alianças com resultados duvidosos. Nesse caminho, o projeto político emancipador - de caráter trabalhista - está se transformando em um projeto desenvolvimentista, que consegue reunir em um só programa de governo o pior da nossa história político-partidária: assistencialismo + desenvolvimentismo autoritário e totalitário. Vamos transformar o Brasil em uma grande 'Miami Tropical'.
Mas os idiotas não só perderam a modéstia, como também passaram a sofrer seriamente de 'bipolaridade'. De um lado, continuam atuando sob o manto trabalhista, colocando-se retoricamente ao lado dos trabalhadores e 'excluídos' da sociedade do grande capital; do outro, rasgam a constituição e convertem um projeto ideológico em um programa de consolidação de uma sociedade de consumo cujos pilares foram estabelecidos durante a Ditadura Militar. Surge o 'trator do PAC' atropelando tudo e todos que se colocam no seu caminho: ecossistemas, plantas, animais, ribeirinhos, pescadores, comunidades tradicionais e indígenas. Vamos passar o Brasil à limpo, transformar este país em uma grande potência colonial. Nesse processo, toda forma de resistência do mundo da vida é domesticada por uma redução da discussão política aos números e tabelas do planejamento contábil e empresarial: "O problema do neoliberalismo é, ao contrário, saber como se pode regular o exercício global do poder político com base nos princípios de uma economia de mercado" (Foucault, Nascimento da Biopolítica).
Ao lado dessa transfiguração interna da ideologia lulista promovida pelos seus assessores mais diretos, temos as políticas sociais de caráter 'reparatório', ora voltadas para a inserção dos setores mais pobres e miseráveis na sociedade de consumo, ora voltadas para a efetivação de um desenvolvimento predatório sustentado por um poderoso lobby político no congresso nacional. Enquanto a economia e os economistas vão muito bem obrigado, a política e a democracia vão mal. O esvaziamento do embate ideológico e político, a metamorfose constante de partidos e candidatos, tudo isso contribui para a falência do sistema partidário tal como o conhecemos hoje. A morosidade em realizar uma reforma política profunda agrava ainda mais o problema. Criou-se uma malha fina tecnicista que perpassa todos os campos de governamentalidade. O desenvolvimentismo se tornou a moda do momento e não existe espaço para o debate político.
Completa-se, aqui, o ciclo de transfiguração da consciência política operária surgida nos porões da ditadura, quando a vítima assume como sua a consciência dos seus algozes. Para entender esse processo com um todo, precisamos não só de uma teoria social, mas também de uma teoria psicanalítica.
Os orquestradores desse genocídio da democracia justificam suas ações apontando para seus inimigos e dizendo: 'se eles também roubaram e continuam roubando, porque nós não podemos roubar?'. Ora, como diz um velho ditado popular, 'faz parte da natureza da cobra picar'. A corrupção ativa e passiva faz parte da essência da direita brasileira. O mensalão do PSDB não só era aguardado, como expressa a natureza deste partido. Nenhuma surpresa aí. Mas com o PT é diferente. O povo aguardava uma mudança de paradigmas na política brasileira. Ganhou em troca uma grande decepção e o desconto na compra da geladeira do ano. Vamos inflar o capitalismo e vender a democracia. Acabaram-se as utopias. Ao final da história (que é também o começo de uma tragédia coletiva), sobrou apenas uma malha extensa de corruptores e corruptos, que agem nos bastidores e contam com a cobertura política de um bando de avestruzes.
["Quando uma avestruz enterra sua cabeça na areia ao aproximar-se o perigo, muito provavelmente toma a rota mais feliz. Ela esconde o perigo, e então calmamente diz que não há perigo algum; e se sente de maneira perfeitamente segura de que não há perigo, por que haveria de levantar a cabeça para ver? Um homem pode passar a vida mantendo sistematicamente fora de vista tudo o que poderia causar uma mudança em suas opiniões" (Charles Peirce, Ilustrações da Lógica da Ciência).]
Vitória nas urnas, mas derrota na ética, na ideologia e na política. Com isso, nós, brasileiros, perdemos todos. Vivemos em uma conjuntura onde tudo parece se igualar, onde só temos a possibilidade de escolher entre o 'mesmo' e o "mesmo', entre o ruim e o menos pior, entre uma cesta básica e um pontapé no traseiro, entre a bolsa-família e um tapinha nas costas. Triste fim da democracia e da utopia: o projeto de emancipação e libertação da classe trabalhadora foi transfigurado em um programa de transformação de cidadãos em consumidores.
O que dizer numa situação como essa se não: 'aos vencedores as batatas'!
Mas o mensalão de José Dirceu e Cia coloca a própria democracia em crise. Lembro que, em 1989, havia uma expectativa popular em torno de uma 'limpeza ética do poder'. Após décadas de regime militar, a sociedade brasileira viu-se diante da tarefa de construir novamente um estado de direito e democrático. Vivíamos o período pós constituinte. O tema da ética e da reforma do estado tomou a pauta dos candidatos, em um debate político acirrado e repleto de afirmações demagogas. Acabou ganhando, com o apoio da Organização Tabajara (Rede Globo), o zé bonitinho do momento. Collor era o 'caçador de marajás', o homem que prometia 'limpar' a corrupção e o mal uso da máquina pública da história do país. Um messias prometendo redenção. Como sabemos hoje, tudo não passou de uma grande encenação pirotécnica, uma retórica superficial que acabou levando o alagoano ao poder. O discurso sobre a ética - na política real do dia a dia - é agenciado nas lutas diárias pelo poder. Tempos depois tivemos que acertar as contas com o destino. O movimento 'cara pintada' - ao buscar recuperar o tema da ética na política - expressou a decepção do povo brasileiro em uma ainda recente e jovem democracia.
Depois veio o período "FHC", eleito sob a bandeira de um 'Real Forte' e uma economia que apresentava tendências claras de recuperação. Com o controle da inflação, teve também início uma lenta e ampla reforma neoliberal do estado, através de uma transformação profunda dos mecanismos de exercício do governo. A tecnicização da política deu origem a uma governamentalidade neoliberal que ainda se mantem ativa e atuante até hoje. Os programas de privatização tucanos são uma grande 'caixa preta' de corrupção e descaso com o poder público. Para se manter no governo e governar, FHC estabeleceu relações fisiológicas com setores à direita do prisma político, como o antigo PFL (hoje DEM). Instituiu-se ali uma nova tecnologia de governo: um tecnicismo academicista (com forte viés economicista) apoiado em uma base política 'vampiresca'. Enquanto FHC reformava e tecnicizava de um lado, seus aliados se deliciavam com o mercado das privatizações do outro. Foi o período triste do Estado Mínimo, do descaso com a saúde e com a educação, de perseguição aos movimentos sociais. Não há dúvida de que o governo do PSDB enredou-se em sua própria malha de apoio, rendendo-se ao velho estilo fisiológico de fazer política performado pelos setores mais conservadores da política brasileira. Sem falar que foram oito longos anos sem aumento para diversos setores do funcionalismo público, oito anos de sucateamento do ensino público superior.
Foi a partir desta conjuntura de decepção e amargura que o PT construiu o seu caminho em direção à presidência da república. Baluarte da ética no poder público, os petistas perseguiam os corruptores e corruptos diariamente, colocando-se como uma 'estrela' em um céu escuro e sinistro de corrupção e descaso com o bem público. As irregularidades associadas ao processo de privatização ocorrido no Governo FHC foram alvo da metralhadora giratória de figurinhas como José Genuíno e Dirceu. O PT da oposição era um forte porta-voz da mudança e da ética na política.
Mas ainda faltava algo. A simples retórica da ética não era suficiente para convencer os patrões da mídia, os empresários, as indústrias, os bancários, enfim, todos os agentes formadores de opinião pública. Foi então que entrou em cena o 'maquiável brasileiro', costurando literalmente as parcerias que levaram Lula ao poder no início do século XXI. José Dirceu costurou uma complexa rede de apoio político, sendo que parte dessa rede manteve-se sempre nos bastidores, financiando a campanha milionária que levou Lula à presidência da República. Somente hoje, com a conclusão do julgamento do 'mensalão', podemos avaliar a profundidade e a densidade das associações políticas e econômicas que conduziram o primeiro presidente operário ao poder da república.
Mas a regra da política-partidária é básica: todo apoio será cobrado em dobro mais a frente. Foi assim que o núcleo político do PT paulista levou o primeiro governo Lula à enredar-se na sua própria rede, reproduzindo o mesmo erro de FHC. Sob a bandeira de um 'pragmatismo' vazio, nos bastidores da república, uma verdadeira máfia de corruptores e corruptos se formou na penumbra da noite, sob o manto pardo do poder republicano. Usando do dinheiro do contribuinte, os antigos porta-vozes da ética na política deram início a um audacioso plano para conquistar o Brasil e o mundo, tendo no comando José 'Cérebro' Dirceu e José 'Pink' Genuíno. Nesse caminho incerto, formou-se o núcleo de gestão fraudulenta.
Como um vírus que cresce e avança quando não encontra obstáculos ou quando consegue vencê-los sem maior resistência, esse núcleo fraudulento e corrupto foi aos poucos construindo sua hegemonia no governo e no partido, com o expurgo dos honestos e o estabelecimento de novas parcerias utilitárias. De uma hora para outra, as antigas vítimas da metralhadora giratória petista passaram a pousar ao lado das lideranças do PT: reis da soja e do agronegócio, grileiros; empresários; José Sarney; Paulo Maluf; o inesquecível Roberto Jefferson, ACM e todos aqueles 'partidos-vampiros', que vivem sugando a máquina pública em benefício próprio. Nesse processo de busca de 'poder pelo poder', rasgou-se a Constituição Democrática e Cidadã e afundou-se a história do principal partido da recente democracia brasileira. Quando o voto de parlamentares e eleitores é transformado em uma 'mercadoria' de barganha ilícita, os valores democráticos entram em profunda crise institucional.
Surge deste contexto sinistro um herói pouco provável: um STF composto por juristas escolhidos à dedo por Lula, a direção nacional (paulista) do PT e seus ministros mais próximos. O 'feitiço' virou contra o 'feiticeiro'. O Castelo de Areia (Kafka) desmoronou-se por completo. O julgamento do mensalão revelou aos brasileiros e ao mundo esta face obscura e sinistra do 'novo PT' de José Dirceu e Cia. Nesse processo histórico, o partido foi transformado em uma empresa, introjectando a lógica nefasta do neoliberalismo, que transforma sonhos e pessoas em números, estatísticas e cálculos de 'custo e benefício'. Aprimoraram-se as tecnologias governamentais em busca de um controle totalitário e absoluto da população e do território: surge daí toda uma nova governamentalidade. A 'vida' humana e não humana é transformada pela lógica da economia política.
Quando o STF finalmente reconheceu, mapeou e identificou a malha de corrupção que perpassava os bastidores da república, a democracia já estava abalada em seus alicerces fundamentais. A mentalidade da hegemonia política inaugurada por Dirceu já havia conquistado adeptos por toda parte. A ética do vale tudo predominava por todos os corredores do Castelo. Assistimos à banalização da ideologia partidária em nome de uma política de alianças com resultados duvidosos. Nesse caminho, o projeto político emancipador - de caráter trabalhista - está se transformando em um projeto desenvolvimentista, que consegue reunir em um só programa de governo o pior da nossa história político-partidária: assistencialismo + desenvolvimentismo autoritário e totalitário. Vamos transformar o Brasil em uma grande 'Miami Tropical'.
Mas os idiotas não só perderam a modéstia, como também passaram a sofrer seriamente de 'bipolaridade'. De um lado, continuam atuando sob o manto trabalhista, colocando-se retoricamente ao lado dos trabalhadores e 'excluídos' da sociedade do grande capital; do outro, rasgam a constituição e convertem um projeto ideológico em um programa de consolidação de uma sociedade de consumo cujos pilares foram estabelecidos durante a Ditadura Militar. Surge o 'trator do PAC' atropelando tudo e todos que se colocam no seu caminho: ecossistemas, plantas, animais, ribeirinhos, pescadores, comunidades tradicionais e indígenas. Vamos passar o Brasil à limpo, transformar este país em uma grande potência colonial. Nesse processo, toda forma de resistência do mundo da vida é domesticada por uma redução da discussão política aos números e tabelas do planejamento contábil e empresarial: "O problema do neoliberalismo é, ao contrário, saber como se pode regular o exercício global do poder político com base nos princípios de uma economia de mercado" (Foucault, Nascimento da Biopolítica).
Ao lado dessa transfiguração interna da ideologia lulista promovida pelos seus assessores mais diretos, temos as políticas sociais de caráter 'reparatório', ora voltadas para a inserção dos setores mais pobres e miseráveis na sociedade de consumo, ora voltadas para a efetivação de um desenvolvimento predatório sustentado por um poderoso lobby político no congresso nacional. Enquanto a economia e os economistas vão muito bem obrigado, a política e a democracia vão mal. O esvaziamento do embate ideológico e político, a metamorfose constante de partidos e candidatos, tudo isso contribui para a falência do sistema partidário tal como o conhecemos hoje. A morosidade em realizar uma reforma política profunda agrava ainda mais o problema. Criou-se uma malha fina tecnicista que perpassa todos os campos de governamentalidade. O desenvolvimentismo se tornou a moda do momento e não existe espaço para o debate político.
Completa-se, aqui, o ciclo de transfiguração da consciência política operária surgida nos porões da ditadura, quando a vítima assume como sua a consciência dos seus algozes. Para entender esse processo com um todo, precisamos não só de uma teoria social, mas também de uma teoria psicanalítica.
Os orquestradores desse genocídio da democracia justificam suas ações apontando para seus inimigos e dizendo: 'se eles também roubaram e continuam roubando, porque nós não podemos roubar?'. Ora, como diz um velho ditado popular, 'faz parte da natureza da cobra picar'. A corrupção ativa e passiva faz parte da essência da direita brasileira. O mensalão do PSDB não só era aguardado, como expressa a natureza deste partido. Nenhuma surpresa aí. Mas com o PT é diferente. O povo aguardava uma mudança de paradigmas na política brasileira. Ganhou em troca uma grande decepção e o desconto na compra da geladeira do ano. Vamos inflar o capitalismo e vender a democracia. Acabaram-se as utopias. Ao final da história (que é também o começo de uma tragédia coletiva), sobrou apenas uma malha extensa de corruptores e corruptos, que agem nos bastidores e contam com a cobertura política de um bando de avestruzes.Vitória nas urnas, mas derrota na ética, na ideologia e na política. Com isso, nós, brasileiros, perdemos todos. Vivemos em uma conjuntura onde tudo parece se igualar, onde só temos a possibilidade de escolher entre o 'mesmo' e o "mesmo', entre o ruim e o menos pior, entre uma cesta básica e um pontapé no traseiro, entre a bolsa-família e um tapinha nas costas. Triste fim da democracia e da utopia: o projeto de emancipação e libertação da classe trabalhadora foi transfigurado em um programa de transformação de cidadãos em consumidores.
O que dizer numa situação como essa se não: 'aos vencedores as batatas'!
sexta-feira, 21 de setembro de 2012
Vida e Materialismo Histórico em Marx e Engels
"Com relação aos alemães, que não dispõem de quaisquer premissas, devemos lembrar a existência de uma primeira premissa de toda a existência humana e, portanto, de toda a História, ou seja, a premissa de que os homens têm de estar em condições de viver para poderem fazer História. Para viver é preciso, sobretudo, comer, beber, vestir-se, ter uma habitação etc. O primeiro fato histórico é, portanto, a produção dos meios para a satisfação dessas necessidades, a produção da própria vida material, e a verdade é que este é um fato histórico, uma condição fundamental de toda a História, que ainda hoje, tal como há milhares de anos, tem de ser realizado dia a dia, hora a hora, para, ao menos, manter os homens vivos. Mesmo quando a realidade se reduz a um simples bastão, como como São Bruno, essa mesma realidade pressupõe a atividade da produção deste bastão. Assim a primeira coisa a fazer em qualquer concepção da História é observar este fato fundamental em todo o seu significado e em toda a sua dimensão, e atribuir-lhe a importância que lhe é devida.(...) A produção da vida, tanto da própria, no trabalho, como da alheia, na procriação, surge imediatamente como uma dupla relação: por um lado como relação natural, por outro como relação social, no sentido em que aqui se entende a cooperação de vários indivíduos não importando em que circunstância, maneira e com que objetivos. Disto resulta que um determinado modo de produção ou estágio de desenvolvimento industrial esteja sempre ligado a um determinado modo de cooperação, ou fase social, e este modo de cooperação é ele próprio uma 'força produtiva'; e que a quantidade das forças produtivas acessíveis aos homens condiciona o estado da sociedade e, portanto, a 'História da Humanidade' tem de ser estudada e tratada em conexão com a história da indústria e da troca.
Somente agora, depois de termos examinado quatro momentos, quatro facetas das relações históricas primordiais, verificamos que o homem também tem 'consciência'. Mas não se trata de uma consciência que seja de antemão consciência 'pura'. Sempre pesou sobre o 'espírito' a maldição de estar preso à matéria, a qual aqui se manifesta sob a forma de camadas de ar em movimento, de sons, em outras palavras: sob a forma de linguagem. A linguagem é tão velha como a consciência, a linguagem é a consciência real prática que existe também para outros homens e que, portanto, só assim existe também para mim, e a linguagem só nasce, como a consciência, da necessidade, da carência de contato com outros homens. Onde existe uma relação, ela existe para mim.
(...) A consciência da necessidade de manter relações com os outros indivíduos marca o começo da consciência do homem de que vive, de fato, em sociedade. Este começo é tão animal quanto a própria vida social desta fase, é mera consciência gregária e, neste aspecto, o homem se distingue aqui do carneiro apenas pelo fato de a sua consciência substituir o instinto ou de o seu instinto ser consciente".
Referência: MARX, K. e ENGELS, F. A Ideologia Alemã: teses sobre Feuerbach (Relações Históricas Primordiais).
Imagem: Cássio Loredano (Editora Boitempo)
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